O nome dele é Setembrino Luiz Braga. Nasceu no dia 11 de setembro [mesma data em que, há dez anos, caíram as torres gêmeas], no distrito de Lagunita, à época pertencente ao território de Ponta Porã, hoje pertencente ao novato município de Laguna Carapã. Dono da banca de revistas “Vitória”, na avenida Marcelino Pires, esquina com a Camilo Ermelindo da Silva, no centro de Dourados, “seo” Luiz, como os amigos o tratam, lembra dos tempos da criação do Estado com alegria.
“Foi um dos maiores acontecimentos que já tivemos”, diz ele. Setembrino Luiz serviu ao Exército Brasileiro, na unidade da 4ª. DC (Divisão de Cavalaria), em Campo Grande, em 1964. “Tempos de agitação”, recorda, lembrando que várias vezes passou a noite de prontidão, “esperando o clarim tocar na madrugada pra turma entrar em forma, repentinamente”. O País vivia o período da chamada Revolução, que alguns apelidaram de ditadura militar, e não raras vezes serviu no pelotão de escolta ao então general Emílio Garrastazu Médice, à época comandante militar que vinha sempre ao Estado e depois acabou sendo um dos presidentes nomeados pelo regime que se instalou no pós-64.
Ao chegar em Dourados, teve que conviver com outro tipo de toque, o de recolher. “A gente ficava esperando a ‘Fernandão’ dar os três sinais de luzes piscando pra saber que o motor iria ser desligado em instantes”, diz Luiz da banca. O apelido foi dado pela população em alusão ao governador do Mato Grosso na década de 60, Fernando Corrêa da Costa, o homem que implantou a usina “Filinto Muller”, depois batizada de Usina Velha, único sistema de distribuição de energia elétrica para os moradores na época em que o Município tinha pouco mais de 30 anos de emancipação.
Cadeia como exemplo
Hoje, aos 75 anos, Dourados “cresceu demais, melhorou a energia, tem asfalto pra todo lado, muitos carros e acho até que essa turma que foi para a cadeia acabou ajudando; assim fica o exemplo para os outros que virão, pra não fazer coisa mal feita, porque a população não aceita mais”, comenta Setembrino Luiz, cobrando ações de mais compromisso por parte dos políticos. “Tem muito mais coisa pra ser feita do que só pensar em mudar o nome do Estado; tinha que ter visto isso antes de criar Mato Grosso do Sul, agora seria só pra dar prejuízo”.