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Juiz Odilon diz que poderes constituídos agem com cinismo

11 de outubro 2011 - 18h59 Por Waldemar Gonçalves - Russo, Especial para o Douranews
Juiz Odilon diz que poderes constituídos agem com cinismo

Na passagem rápida por Dourados na sexta-feira (7), durante um debate sobre a droga do cráck que foi realizado nas dependências do auditório da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) local, o juiz federal Odilon de Oliveira, um dos palestrantes do evento promovido pelos deputados federais Marçal Filho e Fábio Trad, não se fez de rogado e taxou os poderes constituídos do país de cínicos.

Na visão do magistrado, que atualmente é um dos mais odiados pelo crime organizado que existe tanto no Brasil, como no Paraguai, Bolívia e Colômbia, as leis deveriam ser mais duras contra estes tipos de criminosos, uma vez que eles se enriquecem a custa das desgraças e das destruições humanas.

Para Odilon de Oliveira, as autoridades policiais fazem as suas atribuições, os promotores de Justiças e os procuradores Federais as deles e o Judiciário idem para colocar os narcotraficantes atrás das grades, mas geralmente, os processos quando caem nas mãos dos juizes do TRF (Tribunal Regional Federal) e do STF (Supremo Tribunal Federal) acabam dando algum tipo de benefícios aos acusados.

“Na minha visão, estes criminosos que matam nossa gente com suas drogas não poderiam jamais receber qualquer tipo de benefícios por parte dos poderes constituídos. Para mim eles teriam de pegar prisão perpétua, pois enriqueceram a custa de muitas mortes, das dores de milhares e milhares de famílias”, desabafou o magistrado lembrando que o avanço do consumo da cocaína e principalmente da pedra de cráck no país é uma triste realidade e que o Governo Federal, os estaduais e municipais devem se unirem com um só objetivo, atuar forte e com dureza contra os traficantes que sobrevivem destas malditas drogas.

Odilon de Oliveira entende que as leis brasileiras teriam de jogar duro contra o crime organizado, inclusive tirando dos “chefões” e de seus possíveis testas de ferro, tudo aquilo que conquistaram com as vendas dessas drogas. “Neste ano confisquei milhões de reais de narcotraficantes que foram julgados por mim após dois ou três anos de muita investigação policial. Entendo que é tirando os bens deles; fazendo-os sentirem nos bolsos a sua prisão é que poderemos enfraquecê-los. Neste ano confisquei mansões, fazendas com milhares de cabeças de gados, aviões, carros importados, enfim, minei o poder financeiro de muitos narcotraficantes e em momento algum me arrependi, pois entendo que eles conquistaram tudo isso às custas das desgraças dos seres humanos, a maioria deles, jovens que por terem entrado no vício, sempre acabam por trazer dor e tristeza para as suas famílias”, disse o magistrado em um dos trechos de sua palestra, lembrando que os bens confiscados por ele serão levados a leilões, e o arrecadado será investido na segurança pública nacional e em outras áreas que abrange a Justiça Federal.

Na fronteira

No entender de Odilon de Oliveira, o crime organizado tem de ser combatido na sua raiz, que fica na maioria das vezes nas regiões de fronteira. “Participei de duas operações Alianças e vi de perto o prejuízo causado pelas forças tarefas da Polícia Federal e da polícia paraguaia nas operações. Entendo que o melhor caminho para se conter o avanço e o poderio destes marginais tem que ser na região de fronteira, mas para isso precisamos ter mais agentes federais atuando nestas regiões. Hoje temos que acompanhar o avanço destes criminosos, inclusive, a vinda deste avião não tripulado para auxiliar no combate ao tráfico de drogas e aos crimes de contrabandos já é um grande avanço, mas precisamos de muito mais investimentos para jogar duro contra os narcotraficantes principalmente. O Governo Federal e os Estados, em especial os que fazem fronteiras com a Bolívia, Paraguai e Colômbia devem investir e muito na segurança pública, adquirindo armas pesadas, veículos, aviões, enfim, estruturar estes organismos para jogar de igual com os criminosos, que no meu entender, são realmente muito bem organizados”, discorreu o magistrado.

Bebida e cigarros

Ao longo de sua palestra, o magistrado federal diz ser contra as publicidades de cigarros e de bebidas alcoólicas que são feitas produzidas por modelos, artistas, jogadores de futebol e até técnicos e são maciçamente lançadas na imprensa em geral, principalmente nos horários nobres das redes de televisões.

Ele diz acreditar que uma grande maioria de jovens começa na bebida e no álcool a sua caminhada rumo ao vício das drogas. “É lamentável vermos modelos, artistas e jogadores e até técnico de futebol consagrados no país se propondo a fazer publicidades destes produtos que somente causam mal a nação, que somente causa danos à saúde de nossa gente, provocando inclusive o número de cancerígenos principalmente de nossos jovens. Acredito que isto tem de ser dado um basta, pois só assim poderemos sonhar com um país melhor, com mais saúde”, concluiu o magistrado, lembrando que o veto a publicidade de cigarros nos horários nobres das redes de televisões já está acontecendo, mas que isso em sua opinião ainda é muito pouco. “Temos que fazer uma campanha diuturnamente no combate a estes produtos maléficos que são expostos para que nossa gente se mate aos poucos com eles. Temos que endurecer também este jogo, já que na minha visão, o jovem que inicia a sua vida no consumo de cigarros e da bebida alcoólica, com certeza são mais fácil de entrar no caminho das drogas”, avaliou o magistrado ao grande público presente no auditório.