Em seus oito capítulos, o relatório traz, entre outras, histórias e depoimentos de personalidades douradenses, como por exemplo da empresária Adail Rodrigues, que plantou a árvore. Ela conta que a falsa seringueira, que se tornou protagonista de uma luta de idéias recentemente, nasceu em comemoração simbólica ao Dia da Árvore, quando o filho dela, na época um garoto em torno dos 6 anos de idade, recebeu a muda de presente na escola. “O Afonsinho, pequenininho, no Dia da Árvore ganhou aquela mudinha, e eu falei vou plantar isso aqui. E eu peguei e plantei na frente da minha casa e virou essa maravilhosa árvore que agora estão querendo tirar”, relata a mulher
Em outra parte do relatório aparece o depoimento do artista Ilson Venâncio, o “Boca”. Segundo ele, a árvore era então cenário para os foliões douradenses. “Na frente do Nipônico quando dançávamos as marchinhas de carnaval ela já tava lá. Ela sempre foi uma parte, né, sempre teve lá”. Outro a falar sobre a figueira foi o poeta Emmanuel Marinho. “Não raro, sob suas sombras os residentes próximos agrupavam-se... uma geração de jovens se reunia ali para tocar violão e cultivarem laços de amizades".
Por sua vez, o advogado Isaac de Barros fala sobre um “pacto de proteção das figueiras”. “...certa vez foi celebrado um pacto entre mineiros e gaúchos nos anos trinta. Por esse acordo, os migrantes das alterosas pediam para preservar as figueiras, que sombreavam o descanso dos boiadeiros e outros viajantes. Os migrantes gaúchos exigiam manter os coqueiros, pois suas folhas alimentavam cavalos. Combinando dessa maneira (...) foi marcado um encontro entre as partes naquela fazenda [a então fazendo Coqueiro]. No dia, mataram seis novilhas gordas, assando-as num buraco cavado no chão. Então, iniciada essa pioneira reunião ecológica (eles nem sabiam), cerimoniosamente a presidiu o primeiro prefeito de Dourados, cidadão João Vicente Ferreira (primo da minha avó). Nela igualmente se fizeram presentes meu tio, o vereador Antônio Emilio de Figueiredo e seu colega vereador Ciro Mello. Minha avó se recordou inclusive, das presenças do carpinteiro Januário Pereira de Araújo, construtor da primeira casa no povoado; do grande número de pessoas da família Mattos, a mais politizada e responsável pelo movimento da emancipação; membros da família Azambuja; Floriano Brum, Júlio Leite; Pedro Rigotti; os Palhano e os Torraca; Feliciano Vieira Benedetti; o argentino Lucio Stein e o professor Acácio Arruda, fundador da Escola Erasmo Braga, entre outros que não recordo os nomes. Posteriormente, os agrônomos Valdomiro de Souza (Vadú) e Wlademiro Muller Amaral, traçando e abrindo as ruas do chamado “patrimônio”, fizeram questão de respeitar o apelidado pacto da figueira, tratado entre os nossos desbravadores”.
IMAM
Em contato com o Instituto do Meio Ambiente de Dourados, o Douranews apurou que o órgão já recebeu o relatório do “Movimento” e está concluindo os seus, o que deve acontecer até amanhã. Depois disso, deverá ainda haver uma conversa com a Procuradoria Geral do Município, para que seja dado o parecer jurídico. Posteriormente, com todos os documentos em mãos, será iniciada a análise de todos e os levantamentos finais. Possivelmente, segundo o órgão, até o final da próxima semana deverá se chegar a uma conclusão. Somente a partir de todos estes passos é que deverá ser tomada a decisão definitiva, pelo corte ou não da figueira.