A concorrência, expediente considerado saudável e mais humano, inclusive, para o trato dos negócios públicos, em Dourados produz um novo tipo de relação comercial a partir deste mês de novembro. Depois de quase vinte anos explorando, unilateralmente, os serviços funerários na cidade, hoje o grupo que controla a Pax Primavera, com sede em Dourados e filiais em praticamente todas as cidades de Mato Grosso do Sul e parte do Paraná e do Paraguai, divide o ofício com a Pax Nacional, com sede em Campo Grande, que administra o cemitério "Parque de Dourados".
O tema “serviços funerários e de assistência familiar” que chegou a ocupar parte do livro-dossiê escrito pelo jornalista Eleandro Passaia, como consequência da operação “Uragano” (furacão, em italiano) desencadeada pela Polícia Federal e que levou dezenas de políticos e empresários para a cadeia, já antecipava essa disputa.
Segundo o jornalista, o ex-prefeito Ari Artuzi teria feito uma proposta, classificada por ele de “imoral”, para liberar o alvará de funcionamento do novo cemitério do grupo campo-grandense em Dourados em troca de R$ 300 mil, o que foi imediatamente recusado pelo empresário Ronei Dutra. Ao final, deposto Artuzi do cargo, o cemitério da Pax Nacional funciona exatamente ao lado do espaço onde há pouco tempo começou a ser implantado o cemitério da Pax Primavera, controlado pela família do empresário douradense Sizuo Uemura.
No dia de Finados (2), durante a visitação aos cemitérios por conta dessa data religiosa dedicada à reverência aos entes familiares que já partiram do plano terrestre, muita gente acabou se confundindo na portaria dos dois cemitérios, que, por sinal, funcionam lado a lado, no prolongamento da rua Bertoldo de Barros. Funcionários dos dois grupos montaram esquema de orientação na portaria para tirar dúvidas dos visitantes, uma vez que a novidade do novo cemitério poderia provocar esse tipo de confusão.