“A maioria não tinha perspectiva de vida, estava desestimulada. Agora eles têm uma especialização, um curso que os preparou para trabalhar em uma área que tem dificuldade em encontrar mão de obra. Eles passaram a ficar mais animados, superaram até a timidez. Com a carência, o mercado já absorveu a mão de obra dos alunos, que estão trabalhando na construção civil”, explica o Edvaldo França.
Durante o curso teórico, os índios aprendem a orçar a obra, medir prumo, volume, quantidade de água, cimento e argamassa e principalmente a controlar o desperdício, entre outras técnicas. Para Edvaldo, com formação adequada é possível reduzir o índice de 30% de desperdício para 5% ou até zerar essas perdas.
Para as aulas práticas, os alunos índios são contratados pela empresa Poligonal e recebem salário para atuar em uma construção. Na obra eles fazem concretagem, reboco, revestimento de componentes, como azulejos, e por fim a concretagem da laje.
Edvaldo destaca que na obra é possível tirar dúvida dos alunos e garantir qualidade profissional e agilidade no trabalho, pois nenhum dos alunos tinha conhecimento prático.
“Em 34 anos de obra, encontrei o melhor pessoal. Eles não sabiam nada, mas com grande interesse e envolvimento, o trabalho é totalmente satisfatório. Em um ano de obra, eles vão atuar iguais a quem tem 10 anos de experiência”, reforça o instrutor.
Para o diretor do Núcleo de Assuntos Indígenas, Fernando Souza, o curso trouxe mudança na perspectiva de vida e esperança dos moradores da reserva.
“Os indígenas se sentiram lembrados com a implantação do Qualifica na aldeia. Eles diziam que sempre ouviam falar em programas parecidos, mas que nunca acontecia de verdade na reserva. Todos estão se sentindo valorizados, podemos perceber isso no semblante de cada um”, afirma Fernando.
Ele lembra que os poucos índios que tiveram acesso à educação, conseguiram com recursos próprios. “O Qualifica despertou o interesse de todos para buscar uma capacitação. Com certeza, assim que abrir novos cursos, as vagas serão preenchidas rapidamente”.
Legendas
O instrutor Edvaldo e índios que fazem curso de pedreiro na aldeia Jaguapiru