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Médicos e dentistas deixam de atender nas unidades de saúde indígenas

14 de março 2012 - 19h21 Por Redação Douranews
Médicos e dentistas deixam de atender nas unidades de saúde indígenas

Os médicos e dentistas que prestam atendimento aos pacientes indígenas das aldeias Bororó e Jaguapiru, em Dourados, decidiram suspender o serviço porque não receberam, até agora, os salários referentes aos mês de fevereiro.

A informação é do membro do CNS (Conselho Nacional de Saúde) e presidente do Conselho Distrital de Saúde Indígena de Mato Grosso do Sul, Fernando da Silva Souza, índio terena da aldeia Jaguapiru em Dourados. Segundo ele, a criação da Sesai (Secretaria especial de Saúde Indígena), para substituir as atribuições que eram desempenhadas pela Funasa (Fundação Nacional de Saúde) em relação à assistência aos índios não resolveu o problema.

“Fomos enganados mais uma vez”, comentou o conselheiro, acrescentando que a Sesai não está cumprindo o compromisso firmado, de repassar a cada trimestre as cotas do convênio com a Missão Evangélica Caiuá para o custeio das atividades dos 700 profissionais do Núcleo regional.

Fernando lamentou ainda que, para atender um universo de 70 mil índios das aldeias de Mato Grosso do Sul, o contingente seja de 32 médicos e 26 dentistas. Em Dourados, há cinco médicos e outros cinco dentistas para cuidar de 14 mil indígenas.

“Com a criação da Sesai, o Ministério da Saúde anunciou que a gestão da saúde indígena teria autonomia administrativa e financeira, mas o que vemos é a desestruturação total do sistema e profissionais trabalhando em condições subumanas”, disse Fernando Souza. “As portas das viaturas são amarradas com correntes para se manter fechadas e os agentes não dispoem de balanças e nem de bicicletas e muitos tem que pagar algumas despesas com o dinheiro do bolso“, comentou o conselheiro.