“Foi muito bom nascer feio, porque assim eu pude me inventar”, assim descontraído e rindo de si mesmo o autor Fabrício Carpinejar envolveu o público presente na 1ª Feira do Livro e da Leitura do Mato Grosso do Sul, que vem acontecendo até domingo dia 17 de junho de 2012.
Carpinejar palestrou na tarde desta quinta-feira (14), falando sobre a importância de saber fazer piada sobre os próprios defeitos, relativizar as vergonhas e buscar ser afetivo nas relações interpessoais.
O escritor contou que, quando criança, seus pais colocavam fotos de família dentro dos livros, hábito que o intrigava. Carpinejar acreditava que esta era uma mensagem subliminar de seus pais, por isso lia buscando relacionar a fotografia em questão com alguma passagem ou mensagem do livro. Mais tarde, descobriu que os pais colocavam as fotos lá apenas por falta de organização. “Mas aquilo era uma analogia. As pessoas leem para se encontrar, lemos para organizar nossa memória, nossas lembranças, nossos sentimentos, para organizar quem somos”, poetizou.
Alguém na platéia pergunta: “Se ler é se encontrar, escrever é...?” Carpinejar responde: “...fugir de si mesmo”. Sendo autor de livros como “Meu filho, minha filha”, dividindo com a namorada um divã sentimental em forma de coluna na TV e em jornal impresso, participando de eventos literários com esse discurso tão pessoal, não serão seus escritos todos uma autobiografia? O autor garante que aí está o grande prazer de ser escritor: causar confusão nos leitores, pois nunca saberão em qual travessão falou Carpinejar e em qual vírgula iniciou a ficção.
No final, muitas fotos com os admiradores e futuros leitores porque quem ainda não leu Carpinejar, depois dessa encantadora conversa com certeza vai querer ler.
Para quem quiser conhecer mais sobre Fabrício Carpinejar e suas obras: O blog, o site e o twitter do autor. Seu programa de entrevistas na TV gazeta, o Máquina. Sua interpretação para um poema parte do livro Canalha!