“Só pode ser por capricho, ou picuinha, não tem outra explicação”. Essa foi a reação do advogado e gestor imobiliário Jaime Caldeira ao saber que a Prefeitura de Dourados decidiu transferir a sede do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) do prédio em frente ao HV (Hospital da Vida) para um ponto que fica distante cerca de 500 metros do hospital, e ainda pagando mais caro pelo imóvel.
Proprietário do prédio onde funciona, desde que foi implantado no Município, em 2008, a unidade do Samu, Caldeira não conseguiu consolidar a renovação do contrato, que vence no dia 30 e ainda ficou sabendo que a Prefeitura de Dourados já alugou outro imóvel, há cerca de três meses.
A indignação do locatário é porque a Prefeitura pagava exatos R$ 2.398,95 de aluguel por mês na casa que serve como ponto de referência do Samu e ainda usufruía do prédio na frente do terreno, adaptado justamente para poder abrigar em boas condições o Serviço, e agora vai pagar R$ 3.500 pelo novo ponto.
Jaime Caldeira disse que tentou negociar a permanência do contrato, oferecendo-se inclusive para firmar um novo termo, em R$ 3.000, desprezando normas fixadas pela Lei do Inquilinato que previam o ajuste de mercado, e o valor do imóvel poderia ser oferecido até por R$ 3.800. “Infelizmente, esbarramos na intransigência de um senhor, Yuri, que chegou a me expulsar da sala dele durante esse processo de negociação”, relatou o advogado ao Douranews.
Yuri Kintschev é o presidente da Comissão de Avaliação Imobiliária da Prefeitura de Dourados e, nesse período de negociações, teria ignorado inclusive o parecer da secretária municipal de Saúde, Silvia Bosso e do gestor operacional Rosenildo França, a favor da permanência das atividades do Samu no mesmo prédio.
Interesse público
De acordo com o advogado, o Município deve priorizar o que realmente venha a ser melhor para atender ao interesse público, e nada impede que novas transações sejam feitas em nome desses princípios.
“Só estranhei porque agora, além de o Samu ficar fora da rota onde mais atende, que é justamente o deslocamento de pacientes traumatizados para o Hospital da Vida, a Prefeitura ainda está trocando um imóvel mais barato por outro mais caro e onde terá que fazer as adaptações necessárias para abrigar os serviços”, observa Jaime Caldeira.