O aposentado, Alexandre Dias Gonçalves, de 60 anos, “mora” desde novembro de 2011 no HU (Hospital Universitário) de Dourados. O que chama atenção é que ele já recebeu alta médica há meses, mas continua no hospital.
A história, publicada na edição desta segunda-feira (27) no jornal Diário MS, comove os profissionais do HU, já que o idoso é diagnosticado com uma doença degenerativa rara e espera uma decisão judicial que lhe garanta um aparelho respiratório, para assim ter condições de voltar para sua verdadeira casa.
Gonçalves tem esclerose lateral amiotrófica, também conhecida como ELA. Essa doença não tem cura e afeta as funções musculares do indivíduo. O tratamento possível, de caráter paliativo, visa unicamente retardar o avanço da patologia. Debilitado, o paciente precisa dispor de um aparelho chamado Bipap, uma espécie de respirador mecânico.
“Como a doença é progressiva, por enquanto eu só preciso do aparelho para dormir ou mesmo de dia, ser for deitar ou der falta de ar”, explica o idoso, ciente do problema que enfrenta. Mesmo assim, sua angústia tem outro motivo. “Eu quero ir embora daqui; sou muito bem tratado no hospital, mas o duro é que você fica privado, se podia estar em casa, liberto”, afirma.
Para poder deixar o hospital, no entanto, Gonçalves precisa do aparelho, que custa R$ 55 mil. Sem condições financeiras para adquiri-lo, o paciente permanece internado mesmo após a alta médica, datada do dia 17 de fevereiro deste ano. Para ter acesso ao Bipap, ele recorreu à Justiça.
Segundo o idoso, o primeiro resultado foi negativo. O município teria alegado não ter condições de fornecer o equipamento. Diante disso, houve recurso direcionado ao Estado. Neste período, enquanto não há resultado de novo julgamento, Gonçalves continua morando no HU. “Desde fevereiro de alta e atrapalhando o lugar de outro e correndo o risco de pegar uma infecção”, lamenta o paciente.
Alguns dos profissionais que acompanham o caso consideram que dispor do respirador mecânico seria fundamental para o idoso. “Se ele puder ir para a casa, terá benefício em qualidade de vida, privacidade e reduz o risco de contrair uma infecção hospitalar”, pondera a fisioterapeuta Kamilla Palma. Para o enfermeiro Alexandre Mendonça, desde que dispo nha do Bipap, Gonçalves não terá qualquer problema em sair do hospital. “Os medicamentos que ele toma aqui podem ser ministrados em casa”, informa.
À espera de uma decisão judicial que garanta o aparelho, a aposentada Anália Dias Cabreira, 72, vive a angústia de não poder estar perto do irmão. “Ele fala que o dia que sair do hospital vai querer fazer um churrasquinho”, comenta esperançosa.
De acordo com a equipe que acompanha o caso do aposentado Alexandre Dias Gonçalves, o respirador mecânico solicitado para o paciente é o único liberado pela ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para uso domiciliar. Se conseguir o equipamento, o paciente ainda precisará passar por pelo menos 15 dias de treinamento antes da liberação médica.