Trabalhar a conscientização de segurança alimentar e nutricional é comum nos dias de hoje. Já unir esses conhecimentos com a comunicação é um diferencial. Uma parceria entre a Unigran e o Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) tem mobilizado jovens indígenas acerca dos dois temas, por meio do projeto “Comunicação popular entre jovens indígenas de Dourados: mobilização pela segurança alimentar e nutricional da comunidade”.
A iniciativa conta ainda com a participação de mais quatro agências da ONU no Brasil: FAO, PNUD, OIT e OPAS, e busca transformar a vida de alunos e professores das escolas Guateka e Pa´i Chiquito em Dourados. Esta é a segunda edição do projeto. Em 2011 foram realizadas oficinas de motivação, nutrição, desenho, fotografia, radiojornalismo e telejornalismo, com o enfoque sobre o que é fome; direito humano à alimentação adequada e segurança alimentar nutricional.
Os encontros acontecem no NAM (Núcleo de Atividades Múltiplas) da aldeia Jaguapiru na Reserva Indígena de Dourados. Nesta fase, estão sendo trabalhadas as questões de empoderamento, a identidade indígena, a comunicação popular, e ainda, oficinas de fotografia, jornal mural, fanzines (fanatic magazine) e edição de vídeo.
A coordenadora administrativa do projeto, Gabriela Mangelardo Luciano, afirma que “a comunicação popular deve ser considerada um importante catalisador para o desenvolvimento da sociedade. As ações envolvendo comunicação e a temática segurança alimentar tem proporcionado aos alunos enxergarem as situações cotidianas com outros olhares”.
A ideia é que, por meio da comunicação e dos conteúdos relacionados à nutrição, os indígenas sejam multiplicadores dentro das aldeias. Neste ano, o projeto conta com a participação efetiva de acadêmicas de Nutrição, juntamente com a professora e nutricionista Andrea Ribeiro Luz Chamaa, tanto na produção dos alimentos consumidos durante as oficinas, quanto na conscientização sobre segurança alimentar e nutricional.
“A nossa intenção é mostrar para os alunos o que o alimento que ele está comendo tem para oferecer de bom. Como nós demos o enfoque sobre alimentação saudável de modo permanente, então, ter a salada e a fruta como sobremesa e não tomar o suco junto com as refeições, comer o arroz, o feijão, a carne, o que cada alimento pode fornecer como nutriente para o organismo se manter”, afirma Andrea.
Segundo a nutricionista, nas aulas ministradas, “frisou-se a segurança alimentar para que se tenha um hábito alimentar saudável, tem que começar o agora e ser o sempre. Estamos abordando a importância de comer verdura, da higiene que se tem com o alimento e pessoal”.
Para a estudante kaiowá Michelle Perito Concianza, da escola Pa’i Chiquito, as oficinas tem sido importantes. “Desde o ano passado a gente faz este curso sobre alimentação, em jornalismo. E agora, na segunda fase, quero aprender mais. Já conhecemos o estúdio de rádio e de televisão da Unigran, fizemos filmagem e fotografia. Eu gostei muito, porque falamos sobre a cultura do jovem, o preconceito”, destaca.
O professor da escola Guateka, Claudemir Vieira da Silva, participa do projeto junto com os estudantes desde a 1ª fase. “A nossa comunidade é muito carente dessa parte de comunicação. E a comunicação hoje tem uma força imensa para expor os pensamentos, os objetivos que a comunidade tem. O trabalho em união. Porque a união faz a força e através desta união, podemos mostrar o lado positivo da comunidade, a cultura, as danças”, acredita.