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Douranews alertou para crise na São Fernando em 2010

16 de abril 2013 - 15h26 Por Redação Douranews
Douranews alertou para crise na São Fernando em 2010

A crise que agora chegou ao ápice no comando da usina São Fernando, em Dourados, começou, na verdade, menos de dois anos depois da instalação do complexo sucroenergético na região. O Douranews já noticiava, em novembro de 2010, que os prestadores de serviços em forma de contratação terceirizada, sem receber pelo trabalho realizado há cinco meses consecutivos, ameaçavam paralisar as atividades.

“Não há como continuarmos nessa situação. Todas as vezes que procuramos uma explicação é marcada uma data para pagamento e isso vem se arrastando por todo esse tempo, sem qualquer perspectiva de solução para o nosso problema”, dizia, na época, um dos terceirizados afetados pela situação.

Em outubro de 2011, já como desfecho das dificuldades de gerenciamento por parte do grupo controlador que implantou o empreendimento [entre eles, segundo se especulou na época, estaria um dos filhos do ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva] a usina São Fernando passou à administração do empresário José Carlos Bumlai que assumiu o controle acionário quando o grupo JBS Bertin decidiu se afastar do projeto.

A usina, que chegou a ser uma das maiores produtoras de álcool, açúcar e energia elétrica na região, chega agora à fase de ‘Recuperação Judicial’, uma espécie de concordata autorizada pelo juiz Jonas Hass, da 5ª Vara Cível de Dourados, acumulando dívidas da ordem de R$ 30 milhões com cerca de 100 empresas do município, incluindo cooperativas, bancos e pequenos empreendedores, sem contar as dívidas trabalhistas, superiores a R$ 1,6 milhão.

No total, segundo apurou o levantamento judicial, a São Fernando deve R$ 1.2 bilhão, a maioria com os bancos aos quais contraiu financiamentos e empréstimos para chegar até o estágio atual. Na página oficial da empresa, consta capacidade para produzir 4.5 milhões de tonelada de cana-de-açúcar, 330 mil toneladas de açúcar e 150 mil m³ de etanol anidro.