Que o movimento é pacífico, não se discute. Não há quebra-quebra, ainda, apesar da sanha escondida por trás das máscaras de alguns, mas faltou o mínimo de educação e bom senso no encontro dos estudantes universitários durante o encontro, que durou quase seis horas, nesta sexta-feira (21), entre o prefeito e parte dos vereadores de Dourados, após um grupo de pouco mais de cinquenta acadêmicos ocuparem o prédio da Câmara para forçar a retomada das negociações em torno da redução das tarifas do transporte público.

Estudantes levaram até barraca de acampamento para o plenário
Depois que viram os companheiros de São Paulo, Rio, Porto Alegre, Campo Grande e de outras regiões do País obterem a vitória da redução e em alguns casos do não aumento das passagens de ônibus, os ‘líderes’ do movimento pelo passe livre, que não existia até ontem (21), mas nasceu, subitamente, após várias tentativas de se redigir um documento coercitivo, não poderiam se contentar com a vitória do ‘#vemprarua’ que mostrou ser bem mais competente na noite anterior, quando, segundo a PM (Polícia Militar), levou cerca de 15 mil pessoas para a avenida Marcelino Pires, envolvendo setores expressivos da sociedade contra a corrupção.

Acadêmicos foram atendidos com água e café pelo garçom da Câmara
A ‘ocupação’ da Câmara foi mais uma ação importante. Quando a acadêmica que se identificou como Ana Cláudia solicitou o espaço, dizendo que o grupo só deixaria o local depois de falar com o prefeito, o vereador Idenor Machado agiu prontamente e obteve a garantia de que Murilo iria ao encontro dos estudantes. Isso aconteceu meia hora depois do combinado. Enquanto isso, a turma foi atendida com água e cafezinho, servida pelo garçom da casa.

Após várias tentativas, Murilo orienta estudantes sobre o documento
Quando o prefeito chegou, acompanhado de secretários e disposto ao diálogo, foi colocado no ‘devido lugar’, como diriam os mais velhos. “Você fica aqui, vai ouvir a gente e depois pode falar”, enquadrou um dos 'líderes’ do movimento. A todo momento, surgiam ‘contra-líderes’ para contrapor algumas posições. Até que, depois de mais de três horas de conversa, a cidadã que teria agendado o encontro se levantou, agitada, e, dedo em riste do prefeito, ameaçou: “Você vai marcar, sim, essa audiência que estamos querendo e a gente vai vir prá cá, vai lotar essa Câmara e vamos ver o que você e a sua corja tem pra dizer”.

Encontro do prefeito com estudantes durou quase seis horas na Câmara
Corja, segundo o dicionário, significa conjunto de pessoas desprezíveis, e ainda pode ser definida pelos sinônimos escória, gentalha, ou ralé, para ficarmos em alguns exemplos.
Definitivamente, após quase seis horas de encontro, os estudantes saíram do local com o agendamento da audiência pública para o dia 4 de julho e o compromisso do prefeito em repassar as planilhas de custos [ou demonstrativos contábeis, como preferiu um dos ‘líderes’] até quarta-feira (26), afim de que o grupo possa analisar e encaminhar, na audiência, a proposta de tarifa zero, nova bandeira nacional do movimento que, aliás, não é novidade em Dourados. O passe-livre para universitários vigorou na cidade no começo da década passada, mas foi extinto em 2003, durante a gestão do ex-prefeito Laerte Tetila (PT).