Vai completar um mês neste domingo (4) que um grupo ocupa a Câmara de Dourados com o propósito de tentar abrir negociações junto à Prefeitura para a redução dos valores da tarifa de transporte público. A invasão do prédio ocorreu na noite do dia 4 de julho, após a frustrada audiência pública em que deveriam ter sido apresentadas as planilhas de custos para a operacionalização do sistema no Município, conforme havia sido combinado em junho durante encontro dos acadêmicos com o prefeito Murilo Zauith (PSB).
As principais lideranças do grupo intitulado MPL (Movimento Passe Livre) insistem na tese de que, além da redução das tarifas de ônibus, há agora também a necessidade de se discutir a municipalização dos serviços e a implantação do passe livre em sentido mais amplo, para atender todos os usuários do transporte urbano de Dourados.
Essa queda de braço entre os manifestantes e o Poder público já chegou a ser motivo de preocupação para outras entidades, como a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e a Aced (Associação Comercial e Empresarial de Dourados), que se dispuseram a abrir canais de intermediação, visando reatar as relações do grupo com a administração municipal. Até agora, porém, predomina a resistência das partes e uma sequência de equívocos pode levar ao fracasso da luta.
Em princípio, o movimento já deveria se considerar vitorioso, porque conseguiu impedir a renovação do contrato de concessão com a empresa que opera no setor e mantem as tarifas congeladas, conforme compromisso obtido do prefeito Murilo Zauith, até que se defina o novo modelo de transporte coletivo para a cidade, porém, ações de vandalismo e depredação do patrimônio público, aliado com a tentativa de censurar o material publicado pela imprensa, contribuem para depreciar as conquistas.
Observadores sociais que acompanham a mobilização acadêmica tem utilizado a internet para opinar sobre o impasse que se criou em Dourados. Há raciocínios diversos, porém, o entendimento predominante é que o movimento já é vitorioso e seria o caso, talvez, de se apreender as lições tiradas até aqui para iniciar nova fase de articulações, buscando a experiência acumulada por alguns dos líderes para colocá-los, nominalmente, na linha de frente do debate em torno das questões municipais. Sem a necessidade de continuarem entrincheirados.