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Quadros de ex-presidentes são colocados de cabeça pra baixo na Câmara

15 de agosto 2013 - 01h28 Por Redação Douranews
Quadros de ex-presidentes são colocados de cabeça pra baixo na Câmara

Cenas de despedida. Esse é o cenário que predominava no meio da noite desta quarta-feira (14), no prédio da Câmara de Vereadores de Dourados. Um grupo aproximado de quinze pessoas, alguns rostos diferentes dos que iniciaram o movimento, mas todos representando o grupo intitulado MPPL (Movimento ‘Popular” Passe Livre), se revezavam entre embalar os colchões e acessórios, reacomodar os móveis no lugar e amontoar os pertences para ‘desarmar’ o ‘acampamento’ em que se transformou o plenário do Legislativo ao longo dos últimos 40 dias.

O detalhe principal da despedida: um a um, os quadros dos ex-presidentes que formam a galeria no saguão de entrada do prédio, foram virados de cabeça pra baixo.

Durante esse tempo, em que o presidente da Câmara, vereador Idenor Machado (DEM), admitiu que até tentou conseguir, na Justiça, o direito de recuperar o prédio para a garantia do trabalho sem constrangimentos de servidores e vereadores [houveram vários princípios de confrontos entre trabalhadores e manifestantes, o último deles na tarde desta quarta, quando um motorista quase saiu em luta corporal com um ocupante do movimento], o grupo chegou a ter momentos de fama e glória.

Pelo menos uma vez por semana eram realizadas festas de confraternização, com apoio e recursos financeiros de alguns vereadores, sindicalistas, entidades ligadas ao movimento e até empresários que se ‘simpatizaram’ com a causa e manifestos em praça pública, como uma queima de pneus com um boneco, ato apelidado de “queima do Murilo”, em alusão ao prefeito que, segundo eles, demorava para negociar.

A negociação, afinal, ocorreu com a intervenção do MP (Ministério Público). Depois de impedir que o próprio promotor Amilcar Araújo colocasse a opinião dele, como representante do órgão, na audiência pública que acabou dando origem à proposta de invasão do prédio, os manifestantes contaram com o respaldo do próprio para intermediar as negociações com o prefeito e o presidente da Câmara.

Nesse tempo, aconteceram também registros de BOs (boletins de ocorrência) na Polícia, por reclamações contra a depredação do patrimônio. Fios de câmeras de segurança e monitoramento foram cortados, cadeiras e mesas quebradas, telefones danificados, e, por último, uma festa denominada ‘tributo a xangô’, com pai-de-santo e ‘babalorixá’.

Nessa última noite da invasão, além de se reunir para tentar deixar o local em condições de uso novamente pelos vereadores, os manifestantes promoveram alguns rituais, de música, sessões de fotos consideradas artísticas [imagens de manifestantes nus  ainda não foram publicadas oficialmente] e um misto de celebração e despedida, pelo tempo de permanência, a conquista das vagas no novo Conselho municipal de Transporte Público, aprovado na terça-feira (13), por unanimidade, na sessão da Câmara.

Agora, segundo se apurou, o movimento ganha novo foco: Tentar avançar algumas bandeiras na área da Educação e preparar o grito do 7 de Setembro, tradicionalmente utilizado para expor posições de grupos que não aceitam regras vigentes. Novas ocupações, em princípio, estão descartadas.