A Polícia Civil de Dourados deverá abrir inquérito civil para apurar responsabilidades no incêndio que consumiu parte de uma área de canavial, arrendadas por agricultores que abastecem a usina São Fernando, pertencente ao grupo Bertim, e áreas rurais de vegetação e pastagens, às margens da BR 463 em Dourados, durante todo o dia desta quinta-feira (22). O incêndio está sendo considerado um dos maiores dos últimos tempos em Mato Grosso do Sul.
Segundo algumas pessoas, o fogo começou ainda nas primeiras horas da manhã, em uma área de cana-de-açúcar ao longo da rodovia estadual MS-370, que dá acesso ao município de Laguna Carapã e ganhou intensidade a partir do meio-dia, quando as labaredas tomaram conta dos dois lados da rodovia federal e chegaram a atingir até oito metros de altura, de acordo com estimativas do Corpo de Bombeiros. Caminhões e equipamentos agrícolas das propriedades rurais da região foram requisitadas para a operação de combate à incêndio que tomou parte da noite.
Durante a operação, os bombeiros encontraram uma pessoa [supostamente um andarilho que vivia pelas imediações da rodovia] morta e também registraram a morte de várias cabeças de gado. Os proprietários ainda calculam prejuízos com esse incêndio, mas pelo menos 20 animais de origem selecionada teriam sido mortos no fogo e várias outras cabeças de gado terão que ser sacrificadas. Ainda na manhã desta sexta-feira (23) havia animais agonizando na área devastada.
De acordo com a PRF (Polícia Rodoviária Federal), o fogo pode ter começado durante a queima controlada em fazenda produtora de cana-de-açúcar, que fornece matéria-prima para a usina. No Mato Grosso do Sul, a queima controlada está proibida desde o começo do mês, por resolução do Instituto do Meio Ambiente, considerando o período de estiagem e baixa umidade do ar.
Estragos
De acordo com o comandante do Corpo de Bombeiros, coronel Joilson Alves do Amaral, o incêndio foi constatado por volta das 11 horas. "Uma guarnição que atendia à ocorrência no parque Alvorada viu uma grande fumaça vindo de um canavial. A partir daí, a equipe de combate a incêndio se deslocou até o local, e os trabalhos se estenderam até 21 horas, quando as chamas foram debeladas", disse o comandante ao repórter Ademir Almeida, em material especial produzido para o portal UOL.
Há chances de outros incêndios de grandes proporções voltarem a ocorrer. "A geada forte secou muitas plantações e pastos na região, e aliado à baixa umidade do ar, temperatura alta e vento, a possibilidade de novas ocorrências é considerada grande", disse Amaral, esclarecendo que a população não deve, em hipótese alguma, atear fogo em terrenos baldios ou pastagens.
O incêndio causou vários estragos. Plantações de cana-de-açúcar e de milho foram devastadas, e dezenas de cabeças de gado morreram. Somente no sítio Boa Vista, do produtor rural Walter Beloto, aproximadamente 40 bois morreram. O prejuízo estimado por ele é de pelo menos R$ 200 mil.