Uma comissão composta por 20 indígenas de diversos municípios de Mato Grosso do Sul esteve na Assembleia Legislativa, nesta quarta-feira (25), pedindo o apoio dos deputados para a troca de comando no DSEI (Distrito Sanitário Especial Indígena) de Mato Grosso do Sul. O grupo ocupa a sede do órgão, em Campo Grande, exigindo a saída de Nelson Carmelo Olazar do cargo de coordenador do Distrito Sanitário. Paralelamente, em Dourados, a Associação dos Vereadores Indígenas se reuniu, na manhã desta quinta-feira (26), com o coordenador, manifestando a disposição de que o organismo precisa de apoio político para funcionar a contento.
Os indígenas que foram cobrar dos deputados a saída de Olazar reclamam aumento dos recursos direcionados à atenção básica para as comunidades. O presidente do Conselho Distrital de Saúde Indígena de Mato Grosso do Sul, Fernando de Souza, da comunidade Terena na Reserva Indígena de Dourados, disse que nos últimos anos o orçamento do órgão passou de R$ 20 milhões para R$ 50 milhões. No entanto, no mesmo período, o índice de mortandade indígena aumentou de 446 para 503 mortes por ano e a mortalidade infantil indígena [antes de a criança completar um ano de vida] aumentou de 63 para 78 mortes no mesmo período.
Saída não resolve
O coordenador do Distrito Sanitário disse que de 2012 para 2013 o montante investido na saúde indígena aumentou de R$ 14 milhões para R$ 22 milhões. Ele admitiu, entretanto, que faltam condições estruturais para aperfeiçoar o atendimento nas aldeias, e aproveitou para mpedir o apoio da comunidade indígena para que o trabalho não seja interrompido.
“Cobrar a saída do Olazar não muda nada, é preciso cobrar a mudança na gestão, um posicionamento mais colaborativo do governo federal para efetivamente resolver as necessidades dos indígenas. A divisão motivada por interesses pessoais é o que está atrasando isso hoje”, destacou, no encontro de Dourados, o vereador indígena Aguilera de Souza, depois de se reunir com os demais indígenas ocupantes de mandatos nas cidades da região.