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Faculdade da UFGD pesquisa documentos sobre direitos indígenas

11 de novembro 2013 - 18h30 Por Redação Douranews
Faculdade da UFGD pesquisa documentos sobre direitos indígenas

Professores da Faculdade Intercultural Indígena da UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados) iniciaram sexta-feira (8) as atividades do projeto Pesquisa, Produção e Compilação de Documentos Relativos à Violação de Direitos dos Povos Indígenas em MS.

A primeira ação foi a realização de visitas às aldeias Porto Lindo, em Japorã, Rancho Jacaré de Laguna Carapã e aos acampamentos indígenas Pacurity e Apykai em Dourados, onde foram realizadas entrevistas com indígenas das etnias Guarani e Kaiowá sobre a história do tempo presente e o histórico da relação entre o Estado e os povos indígenas em Mato Grosso do Sul.

Conforme os docentes que realizaram as entrevistas, os anciãos indígenas Damiana e Bonifácio relataram que os problemas enfrentados pelos índios no presente relacionam-se com a transferência involuntária, mediante violência, ação policial, pressão de fazendeiros, entre outros expedientes, dos Guarani e Kaiowá das aldeias (tekoha) para as pequenas áreas reservadas entre 1915 e 1928.

Os professores explicam que as reservas indígenas foram criadas com o objetivo de liberar as terras para a instalação de fazendas, e a retirada dos povos indígenas das áreas onde habitavam foi realizada em ação conjunta entre empresas de colonização do então estado de Mato Grosso, notadamente após a década de 1950 com o fim do monopólio da Companhia Matte Laranjeira.

Nas entrevistas, os indígenas mais idosos relataram que, a partir dos aldeamentos e da retirada deles das terras, houve um assentamento sistemático de colonos mediante políticas públicas estatais em áreas de presença tradicional indígena, mas declaradas devolutas pelo governo. Os indígenas também perceberam que ao longo dessas décadas intensificou-se a instalação de empreendimentos agropecuários, e notam ainda a alternância entre os ciclos econômicos da soja e da cana-açúcar. Tais situações foram relatadas por idosos durante as entrevistas nos acampamentos Apykai e Pacurity, além de confirmados por documentos públicos do extinto SPI (Serviço de Proteção ao Índio).

Tomaram parte nessa ação o cineasta Vincent Carelli, do projeto Vídeo nas Aldeias, a psicanalista Maria Rita Kehl, da Comissão Nacional da Verdade, além dos professores Neimar Machado de Sousa, da UFGD), do coordenador do projeto, o antropólogo guarani e kaiowá Tonico Benites (UFGD), além de acadêmicos indígenas da UFGD, Alecio Soares Martins e Jesus de Souza, ambos da aldeia Te’ýikue, de Caarapó.

As atividades de pesquisa contam com o apoio e parcerias do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), do MPF (Ministério Público Federal), da Fundect (Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensno, Ciência e Tecnologia do Estado de Mato Grosso do Sul) e do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) e inserem-se nas atividades do Labhei (Laboratório de História da Educação Indígena e Interculturalidade) da Faculdade Indígena.