Criada sexta-feira (14), na sede do MPT (Ministério Público do Trabalho) em Mato Grosso do Sul, a Comissão de Combate aos Impactos dos Agrotóxicos vai debater o uso dos agrotóxicos e os riscos que eles representam ao meio ambiente, à saúde do trabalhador rural, da população e consumidores em geral. A proposta foi aprovada pelo Fórum de Saúde, Segurança e Higiene do Trabalho de Mato Grosso do Sul e será integrada por membros do MPT e do MPF (Ministério Público Federal) no Estado, além de outras entidades civis e governamentais.
Segundo a procuradora do trabalho, Simone Rezende, a finalidade do colegiado é debater o tema, contribuindo para a prevenção e combate ao uso indiscriminado dos defensivos agrícolas. A Comissão será coordenada pelo procurador da República do MPF em Dourados, Marco Antonio Delfino de Almeida, e pelo procurador do MPT, Leontino Ferreira de Lima Júnior.

De acordo com o procurador Marco Antonio Delfino, o foco da Comissão será o monitoramento. “A população precisa ter certeza de que está consumindo um produto adequado. É preciso fazer o rastreamento reverso para identificar de onde o produto saiu e qual prática vem sendo observada", afirma.
Um dos problemas destacados por Delfino relaciona-se à pulverização aérea, que pode atingir áreas próximas às lavouras e necessita de fiscalização especial. Como exemplo, o procurador cita o caso do avião que lançou veneno agrícola por acidente na escola do Assentamento Pontal dos Buritis, em Rio Verde/GO, em junho de 2013, quando 37 pessoas foram intoxicadas, sendo oito adultos e 29 crianças entre seis e 14 anos.
Dados
Números do Sindage (Sindicato Nacional para Produtos de Defesa Agrícola) indicam que cada brasileiro consome o referente a 5,2 litros de agrotóxicos ao longo do ano, o que coloca o Brasil no posto de maior consumidor do planeta.
A cada ano, cerca de 500 mil pessoas são contaminadas pelo produto, segundo o SUS (Sistema Único de Saúde) e estimativas da OMS (Organização Mundial da Saúde). Apurações do Comitê da Campanha Permanente contra os Agrotóxicos e Pela Vida em Mato Grosso do Sul revelam ainda que continuam em uso no Brasil 14 produtos que foram condenados em outros países e estão sendo retirados do mercado internacional.
Riscos ao meio ambiente e saúde
Os agrotóxicos, independentemente do método de aplicação, possuem grande facilidade de se dispersar no meio ambiente. Conforme alerta da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), o uso intenso de agrotóxicos pode causar danos ao meio ambiente, como a degradação e a contaminação do solo, água, fauna e flora, em alguns casos de forma irreversível.
Em relação à saúde, segundo pesquisas, os ingredientes ativos presentes nos agrotóxicos podem causar esterilidade masculina, distúrbios neurológicos, respiratórios, cardíacos, pulmonares, nos sistemas imunológico e na produção de hormônios, além de má formação fetal e desenvolvimento de câncer.