Os advogados de Dourados, reunidos na tarde desta terça-feira (25), na sede da Subseção local, defenderam a tese de intervenção urgente no comando da Seccional estadual da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e novas eleições para a escolha do substituto do atual presidente Júlio César Rodrigues.
A permanência de Júlio César como presidente da OAB/MS se tornou insustentável, segundo entendimento de parte dos advogados do Estado, depois que ele firmou contrato com o então prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal (PP), “em conduta duvidosa”, conforme admitiu a própria ex-presidente da Ordem no Estado e principal avalista da candidatura de Júlio César à entidade, a advogada Elenice Carrile, em ‘Carta aos Advogados Sul-mato-grossenses’.
Nesta semana, 22 conselheiros seccionais de um total de 32 que compõem a diretoria da Ordem em Mato Grosso do Sul, 28 conselheiros suplentes dos 32, dois conselheiros federais titulares e dois suplentes de um total de três e ainda os membros de várias comissões e do Tribunal de Ética, além de diretores da ESA (Escola Superior de Advocacia) e da CAAMS (Caixa de Assistência aos Advogados de MS), renunciaram às funções como forma de tentar pressionar o presidente a deixar o cargo e abrir a possibilidade de nova eleição.

César Câmara, à esquerda, defende chapa única para recuperar a Ordem
“Nesse momento, muito difícil pra todos nós, só uma nova eleição, com a intervenção do Conselho Federal na Ordem dos Advogados de Mato Grosso do Sul, poderia resgatar a credibilidade e a importância da nossa Ordem”, defendeu o presidente da Subseção, Felipe Azuma. Dois ex-presidentes da Subseção local, César Câmara Rasslan e Gervásio Scheid, também avaliaram a situação como “muito grave”. César chegou a defender a formação de uma chapa única, “convergindo todos os interesses de todas as regiões do Estado”, para reerguer a imagem da OAB/MS, em caso de nova eleição.
Na ‘Carta’ que divulgou aos profissionais, a ex-presidente Elenice Carrile admite que errou ao indicar Júlio César para presidir a entidade e diz que o quadro “é mais triste porque o presidente tem o desplante de tentar se manter à frente da nossa classe”.
Dourados contribui, anualmente, com quase R$ 1 milhão do total arrecadado com as contribuições dos profissionais para a entidade estadual e, desse total, 65% fica retido à Seccional que, em contrapartida, repassa R$ 4.500 por mês para a Subseção, além de arcar com os custos da folha de pagamento de 12 servidores, o que representa algo em torno de R$ 17 mil mensais.
Manifesto
Um ato público está sendo agendado para sexta-feira (28), em Campo Grande, com a participação de advogados de todo o Estado, com o fim de exigir a intervenção federal na entidade sul-mato-grossense e a marcação de novas eleições.