Depois de permanecer quase quatro meses na área de propriedade de um grupo empresarial na vizinhança do conjunto Ipê Roxo, onde o prefeito Murilo Zauith (PSB) entregou casas populares em dezembro do ano passado, as famílias de acampados estão deixando o local na manhã de hoje (29), sob os olhares atentos de um contingente com cerca de 40 policiais da tropa de choque da PM (Polícia Militar).
“A gente só queria uma casa pra morar, porque tem tanta gente esperando há tantos anos na fila do sorteio e não dá mais pra esperar”, disse ao Douranews o pedreiro Ademir dos Santos, designado para falar em nome do grupo. Os advogados Joaquim Carlos Klein Alencar e José Ipojucan Ferreira estão tentando, na Justiça, um pedido de reconsideração à decisão da juíza Larissa Cordeiro do Amaral, da 2ª. Vara Cível, que determinou a desocupação do local.
Alencar disse que os moradores optaram pela ocupação do imóvel em frente ao conjunto de casas do Ipê Roxo depois de serem informados de que a área já havia sido comprada pelo Município para a construção de mais casas populares. Os advogados também apuram se o imóvel seria uma APP (Área de Preservação Permanente) e questionam a legitimidade passiva do proprietário.
Na semana passada, os irmãos Márcio e Marcelo Caldeira, que seriam os donos do terreno, chegaram a discutir, por telefone, com ocupantes do local. Ademir dos Santos disse que Marcelo foi intransigente. “A gente só queria um pouco mais de prazo pra sair da área, até que encontremos um novo local. Agora, estamos saindo daqui e não temos pra onde ir”, lamentou.