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Família cobra explicações sobre morte de índio

17 de maio 2014 - 14h44 Por Redação Douranews
Família cobra explicações sobre morte de índio

A família do indígena Anderson Garcia Flores, morto ontem (16) à noite no HVida (Hospital da Vida), depois de cumprir quatro anos de reclusão na Phac (penitenciária Harry Amorim Costa), quer explicações sobre as causas que levaram ao óbito do rapaz, que iria fazer 25 anos este ano.

Carlos Garcia, tio do rapaz, disse ao Douranews neste sábado (17), durante o velório na casa dele, na aldeia Jaguapiru, que Anderson estava bom. “Há um mês, levaram ele para fazer pericia no INSS e o laudo comprovou que não tinha nada; agora aparece morto”, reclamou.

De acordo com familiares, a causa da morte, indicada pela direção do HVida, é de que Anderson teria contraído uma pneumonia dentro da cadeia. O laudo médico, assinado pelo neurologista de plantão, João Altivo, aponta ‘insuficiência pulmonar’ agregada com outros fatores complicadores com metástase cerebral e na região dos intestinos e peritônio.

“Mas o corpo dele está todo machucado, um outro que estava lá com ele, na cadeia, e saiu antes, disse que ele vivia apanhando”, protestou a tia Lucimara.

‘Estava tudo bem’

Em janeiro de 2012, de acordo com documentos apresentados pela mãe do rapaz, o advogado Wilson Matos, representando o Odin (Observatório Indígena Nacional), protocolou junto à direção da Phac o pedido para que Anderson Flores fosse transferido para a área médica, solicitação reforçada em agosto do ano passado pelo psiquiatra Rodrigo Abdo, após atender o jovem.

Na semana passada, segundo a tia Lucimara, a mãe de Anderson esteve na Defensoria Pública, perguntando sobre providências que haviam sido solicitadas para garantir a saúde do filho na Phac. “Eles sempre falavam que estava tudo bem”, disse ela.

O corpo de Anderson foi velado na residência de familiares, na aldeia, sob forte clima de revolta entre os presentes e o sepultamento foi realizado no cemitério indígena, às margens da rodovia MS 156, que liga Dourados a Itaporã, no final da manhã.