Buscar quarta-feira, 2 de setembro de 2026
(67) 99913-8196
Dourados
16°C
Dourados

Advogada de Padoim é condenada a 4 anos por extorsão

12 de agosto 2014 - 13h31 Por Redação Douranews
Advogada de Padoim é condenada a 4 anos por extorsão

A advogada Falconeri Prestes, acusada de crime de extorsão contra a família do empresário Elzevir Padoim, morto a tiros em emboscada quando chegava na casa dele, no centro da cidade, no dia 26 de abril de 2011, foi condenada a quatro anos de prisão, em decisão proferida dia 14 de julho deste ano pelo juiz da 2ª. Vara Criminal de Dourados, Jairo Roberto de Quadros.

Falconeri foi acusada de cobrar vantagem indevida, mediante ameaças feitas contra o filho de Elzevir, Laércio Padoim, utilizando-se de documentos que teria na sua posse e cobrando, para a liberação dos papeis, R$ 1,6 milhão em dinheiro.

A advogada confirmou, em depoimento ao juiz Jairo Roberto, que conheceu Elzevir em 2002, quando passou a trabalhar como advogada da empresa Sertaneja Corretora de Cereais, de propriedade do empresário assassinado em 2011 e que em seguida passou a ter um relacionamento íntimo com Padoim.

O processo que apurou o envolvimento de Falconeri com o crime de extorsão mostra o encontro da advogada com Laércio Padoim, exigindo o pagamento de altas quantias e vantagens, incluindo uma propriedade rural que o empresário possuía em Bonito e que ela queria que lhe fosse entregue ‘como doação’. Pressionado, o filho de Elzevir chegou a repassar para a mulher quatro cheques de R$ 50 mil, após vários encontros em locais públicos, incluindo uma igreja católica localizada na região da Cabeceira Alegre. A advogada sempre dizia, segundo o processo, que possuía documentos comprometedores e que poderia entregá-los às autoridades.

Juiz Odilon e Campina Verde

Segundo o despacho do juiz Jairo Roberto de Quadros, a advogada Falconeri usou da condição de “ex-amante do pai da vítima para obter outras benesses financeiras do filho no momento em que fora dispensada da empresa, vez que, enquanto anteriormente mantinha alto padrão financeiro, viu-se retirada dessa situação”. A advogada confirmou, em depoimentos durante o processo, que chegava a receber R$ 15 mil por mês, mesmo com registro em carteira de R$ 2,5 mil e que tinha créditos em honorários da ordem de R$ 700 mil para receber.

Entre as pessoas ouvidas nesse episódio, consta depoimento do juiz federal Odilon de Oliveira, citado no processo como “pessoa de elevada credibilidade nacional por seu combate à criminalidade”, que confirmou ter recebido alguns documentos por parte de Falconeri, relacionados à família de Elzevir Padoim, mas disse que não tem certeza se os encaminhou para a Polícia Federal. “É provável, eu não tenho certeza, porque recebo muitas reclamações”, divagou o juiz ao ser questionado em depoimento à folha 1841 do processo 00052221620128120002, conforme protocolo do TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul).

Durante a fase do processo, Falconeri confirmou que o empresário Elzevir ‘era muito generoso’ com ela, e que recebia muitos presentes, incluindo um depósito de R$ 10 mil feito antes do empresário ser assassinado, com o qual a advogada patrocinou a festa de aniversario de uma filha. A morte de Padoim ainda não foi esclarecida pela Polícia Civil de Dourados.

No processo, consta ainda depoimento de Nilton Alvaro Monteiro, ouvido na condição de ex-sócio de Elzevir Padoim, que disse também ter sido ameaçado pela advogada, com ameaças de que entregaria “documentos incriminadores” às autoridades policiais, inclusive sobre a participação dela, em defesa do empresário assassinado, no ‘caso Campina Verde’, envolvendo a cerealista da família Rocha em Dourados.

O juiz Jairo Roberto de Quadros arbitrou a decisão quatro anos de reclusão, inicialmente em regime aberto, considerando a ré primária e sem antecedentes criminais.