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Paixão, amor e suicídio dominam temas de simpósio na UFGD

27 de setembro 2014 - 12h05 Por Redação Douranews
Paixão, amor e suicídio dominam temas de simpósio na UFGD

O professor Erkki Isometsä, da University of Helsinki. na Finlândia, encerra hoje (27) o II Simpósio Internacional de Neurociência da Grande Dourados, falando sobre como a química do cérebro se relaciona com a depressão e com o suicídio. O evento começou quinta-feira (25) no campus 2 da UFGD e estão sendo debatidos temas muito interessantes, na visão dos organizadores.

Professores dos EUA falram ontem (26) sobre HIV e cérebro - dados sobre como a medicação para HIV está relacionada a depressão; pesquisas que relacionam histórico de vida dos portadores de HIV com depressão; sobre como esses medicamentos podem causar inflamações no cérebro e transtornos cognitivos, entre outros atrativos.

Confira a programação completa

Além disso, palestras e oficinas voltadas para educadores, sobre crianças superdotadas, sobre como estimular o cérebro da criança para melhorar o aprendizado, como as emoções e a arte fazem parte do aprendizado, entre outros temas ligados ao ensino.

Paixão e amor

A professora do curso de Medicina da UFGD, Elizabete Castelon Konkiewitz, abriu quinta-feira (25) o Simpósio falando sobre a "Neurobiologia do amor". Ela traçou paralelos sobre as reflexões de três obras produzidas entre 1840 e 1860 e que apontam para aspectos do amor e da paixão.

Mesmo antes de haver o conceito de genética e hereditariedade, Charles Darwin desenvolveu a Teoria da Evolução das Espécies [que dialoga com a necessidade do ser humano em reproduzir-se e selecionar um(a) companheiro(a) para deixar uma melhor herança genética para sua descendência], conforme discorreu a palestrante.

Em linhas gerais, Arthur Schopenhauer, em "Metafísica da Paixão", defende a ideia de que o amor é uma manifestação impulsionada pelo instinto reprodutivo. Para o filósofo, a sociedade pensa o amor como uma busca individual por felicidade, mas sua observação o levou a crer que o amor é uma forma como o intelecto humano "compensa" ou manifesta a necessidade de encontrar um parceiro sexual. 

Ao longo da palestra, a professora ainda analisou a obra literária "O Morro dos Ventos Uivantes", de Wuthering Heights, pseudônimo de Emily Bronte. Para Elizabete, o romance lançou um questionamento às convenções da sociedade vitoriana. Emily Bronte coloca o amor como um imperativo urgente e pungente da natureza – e o desfecho trágico da obra aponta para a ideia de que quando a racionalidade trai a natureza selvagem do amor, há um preço a se pagar.

Essas três obras, de literatura, biologia e filosofia, apontam para a paixão como uma força instintiva, selvagem e natural.  Na explanação da médica psiquiatra e neurocientista, a ciência vem convergindo com algumas dessas análises sobre o amor sensual. A neurobiologia lança novas luzes sobre o tema, através de estudos sobre a química do cérebro – utilizando animais em laboratório - e com pesquisas em neuroimagem – que mostram quais áreas do cérebro são estimuladas pelos sentimentos amorosos.

"Quando o ser humano vê algo que desperta seu interesse, ativamos no cérebro um sistema de recompensa – liberamos dopamina ao pensar que podemos obter aquele objeto de desejo, aquilo que estamos julgando como belo e atraente. A mesma reação cerebral acontece quando nos atraímos por uma pessoa", explica ela. Segundo a médica, o cérebro da pessoa apaixonada funciona como o cérebro de uma pessoa que tem algum vício e tem semelhanças com aspectos do transtorno obsessivo compulsivo.

Elizabete destaca que as pesquisas neurobiológicas a respeito do amor ainda estão se iniciando e que há muito a avançar. De qualquer forma, mesmo que se atinja uma explicação racional sobre como e porque o cérebro humano se apaixona, a verdade é que o amor continua sendo uma força que foge ao controle da razão, segundo ela.