A onda de calor que está presente na região e que ainda deve permanecerá no final de semana, responsável inclusive pela temperatura máxima de 39,4ºC registrada quarta-feira (15), é a maior dos últimos 35 anos. A maior média para um mês de outubro, de acordo com o pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste, Carlos Ricardo Fietz, responsável pelas pesquisas realizadas por meio do Guia Clima MS, foi de 30,8ºC no mês de outubro de 1979. Ao longo desses nove dias de duração da onda de calor, neste ano de 2014, caracterizada por uma sequência de dias com temperaturas máximas superiores a 33°C, a temperatura média máxima registrada foi de 37,8º C.
De acordo com o pesquisador Carlos Ricardo Fietz, desde que se iniciou a série histórica de 39 anos de dados agrometeorológicos coletados da cidade, até fevereiro desse ano, houve na região de Dourados 14 ondas de calor com mais de 12 dias. O pesquisador relembra que esse ano, no período de 28 de janeiro a 11 de fevereiro, a cidade já passou por uma onda de calor que teve duração de 15 dias, com temperatura média 27,9ºC e temperatura máxima de 37,9ºC. Os dados históricos demonstram que as ondas de calor intensificaram a frequência há 12 anos.
"Na década de 80, houve apenas uma onda de calor, que durou 13 dias, em novembro de 1985, com temperatura média de 29,7ºC. Já na década de 90, foram registradas apenas três ocorrências. Porém, desde o ano de 2002, quando tivemos três ondas de calor (março, abril e setembro), além da mais extensa onda de calor registrada com 27 dias de duração, a cidade já passou por dez ocorrências e pode ser que estejamos vivenciando a 15º onda de calor da história douradense, pois ainda estamos no seu 9º dia", explica Fietz.
"Com a chegada dessa onda de calor, estamos a nove dias sem chuvas na região. Assim, a chuva mensal acumulada em outubro até o dia 15, foi de 6,4mm, sendo que a média mensal de outubro é de 143.1mm", acrescenta.
Sensação térmica
O pesquisador explica ainda que a temperatura aparente, ou índice de calor atual, popularmente chamada de sensação térmica, é de 38,1ºC. Esse valor é calculado com base nas informações do efeito conjunto de temperaturas altas e da umidade do ar. A National Weather Service Office dos Estados Unidos (na sigla em inglês NOAA's) estabelece critérios de risco à saúde humana, relacionados a diversos dados climáticos. De acordo com esses critérios, o nível de risco à saúde humana atual é classificado como "Muita Atenção", quando a sensação térmica varia de 32,1 a 41ºC.
"O calor excessivo, além de provocar desconforto térmico, pode afetar o desempenho e o comportamento das pessoas, causando mal estar, inquietações e perda de concentração. Além disso, pode causar fadiga, câimbra e esgotamento", explica o pesquisador.
Umidade relativa do ar
Entretanto, o nível de umidade relativa do ar é de 29%, o que segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) é classificado como sendo "Estado de Atenção". "Quanto mais baixos forem os níveis baixos de umidade relativa do ar, que indicam que há uma pequena quantidade de água, em forma de vapor na atmosfera, maiores os riscos à saúde humana, mas até o momento a situação é boa quanto a esse aspecto", finaliza ele.