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Indígenas aproveitam convênio com UFGD para relatar maus tratos

26 de dezembro 2014 - 21h30 Por Redação Douranews
Indígenas aproveitam convênio com UFGD para relatar maus tratos

Resultado de antigas reivindicações dos movimentos de direitos humanos no Brasil, a CNV (Comissão Nacional da Verdade),criada pela Lei 12.528/2011 e instituída em 16 de maio de 2012, com a finalidade de apurar graves violações de direitos humanos ocorridas entre 18 de setembro de 1946 e 5 de outubro de 1988, representou importante conquista com relação à apuração da verdade e a possíveis reparações de danos às vítimas da ditadura militar.

Um convênio firmado pela CNV para desenvolver as atividades, em cooperação com a UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados) acabou sendo responsável para que os povos indígenas de Mato Grosso do Sul fossem mencionados como vítimas de violações durante a ditadura militar, conforme relata a assessoria de comunicação da Universidade dourdense.

Organizadas junto à Faind (Faculdade Intercultural Indígena), as duas sessões de audiência que aconteceram na Universidade contaram com a participação da reitoria, diversas pró-reitorias, além de muitos técnicos administrativos, docentes e estudantes indígenas e não indígenas. Além, é claro, do apoio de diversas outras instituições. Durante essas sessões, foram ouvidos povos guarani, kaiowá, terena, guató, ofaié, e uma terceira sessão foi organizada na aldeia Bananal, por demanda da comunidade indígena de Aquidauana.

De acordo com o professor Neimar Machado de Sousa, pesquisador da área de Documentação Indígena da Faind, que colaborou com as investigações da CNV no Estado, essa interação entre a Universidade e a Comissão permitiu a constatação de fatos como derrubada e venda da mata nativa e instalação de projetos agropecuários no interior das reservas do MS que violaram os direitos humanos dos índios, deixando-os sem remédios, lenha, alimentos e plantas sagradas, além da diminuição da alimentação (caça e pesca).

Atacados com papeis

Um dos depoentes à CNV, Valdomiro Osvaldo Aquino, liderança da reserva indígena Panambizinho e membro do Conselho Aty Guasu, chamou a atenção para os métodos que hoje são utilizados contra os povos indígenas. “Antigamente nós éramos atacados com armas, balas. Hoje o que se usam contra nós são palavras, papéis, documentos. É o sistema político que está nos prejudicando”, afirmou Valdomiro, relacionando a falta de demarcação de terras e a violência que os povos indígenas enfrentam.