Com um motor de apenas 50 cilindradas, as chamadas “cinquentinhas” não exigem do proprietário que seja feita a documentação ou habilitação do condutor. A responsabilidade por toda a fiscalização é do município, segundo afirmaram ao Douranews alguns mototaxistas que hoje sentem que estão 'perdendo clientes' para esse tipo de usuário que opta por comprar os próprios veículos ciclomotores.
Por ser uma moto pequena e de pouca potência, as cinquentinhas não são vistas com “grandes olhos” pelo Detran, segundo eles, e a fiscalização acaba recaindo para os fiscais da Agetran (a Agência de Trânsito do município) no caso de Dourados. Enquanto isso, o grupo de mototaxistas, profissionais que 'vivem da moto', segundo afirmaram, relataram ao Douranews as 'imprudências' e 'absurdos' que já presenciaram na atividade.
Mototaxistas indignados com os absurdos que
veem no trânsito
Alvanir Trevisan, já nos seus 50 anos, disse que viu Dourados crescer, e viu também as “cinquentinhas” atrapalharem a vida dele um bocado: “eu já perdi muitos clientes que não quiseram tirar CNH e preferiram comprar as “motinhas”, não vejo problema nisso, o problema são que muitos deles não tem noção alguma de como andar nesse trânsito”.
Ele ainda afirma já ter visto até três menores em cima de uma mesma “cinquentinha”, e isso é o de menos, o que impressionou foi que nenhum deles usava o capacete obrigatório.
Rivelino Xavier, que também viu Dourados crescer, e igualmente na casa dos 50 como o amigo Alvanir, reclamou da impudência que muitos praticam com as “cinquentinhas”. Disse que os menores abusam da sorte: “eles atravessam sinal vermelho, fazem contorno de qualquer jeito, correm entre os carros, um dia vão ''achar' oque estão procurando”, relata.
Motos de todos os tipos convivem com o trânsito de automoveis em Dourados
Edmar Soares, que já passou dos 30, fala que é um “inferno” tem que conviver com os imprudentes: “se pelo menos tivesse como multar, denunciar, algo parecido, aposto que muitos não seriam loucos desse jeito, eles abusam demais”, reclama.
Se para os que estão de moto é complicado, para quem está de carro deve ser muito pior.
Ermelindo Filho, o popular “Café”, é taxista, e diz que a vida dele vira 'um inferno', também, quando topa com um dos imprudentes: “eu não me dou bem com eles, se já não bastasse alguns motoqueiros que voam com as motos, eles ainda podemos identificar, mas os menores ou os loucos da 'cinquentinha' não”.
Ele também foi claro em protestar porque ter que pagar impostos do veículo e ver que os que mais abusam não pagam nada e ainda “infernizam” a vida de muitas pessoas na cidade: “eles vão até o Paraguai, compram essas 'coisas' e voltam para Dourados, para tocar o terror no trânsito”, denuncia.
“Café” disse que as pessoas de bem que usam as "cinquentinhas" são vistas com outros olhos, já que muitos são motociclistas sem habilitação que não possuem noção de direção defensiva, 'trancam' os veículos, atravessam 'sinaleiros', fazem contornos errados, entre outros abusos que enumera o taxista.