Invasor de uma residência que faz parte do programa de moradias populares em Dourados, o desempregado Juliano Xavier de Lima, de 25 anos, protocolou nesta segunda-feira (2), na Promotoria da Cidadania, o pedido de autorização para continuar morando na casa, localizada na região do conjunto Ipê Roxo, inaugurado pela Prefeitura no ano passado.
A PGM (Procuradoria Geral do Município) entrou com ação de despejo, analisada pela Justiça e que resultou no processo 0810744-20.2014.8.12.2002, cujo despacho foi favorável à desocupação do imóvel, que teria sido sorteado em favor de Carla Sampaio Tanan, atualmente morando em uma área pública na região do Jardim Jockey Clube.
Juliano e a mulher Jessica Benites Vilhalga possuem um casal de filhos [um menino de 4 e uma menina de 3 anos] e ele diz que desde que sofreu um AVC (Acidente Vascular Cerebral) não consegue mais arrumar emprego fixo. Trabalhador da construção civil, o rapaz disse ao Douranews que perdeu parte do movimento das mãos e isso prejudica na atividade.

Juliano mostra documento protocolado ao promotor Ricardo Rotunno
O rapaz, que é filho do atual presidente da Associação de Moradores dos bairros Estrela Porã e Altos do Alvorada 1 e 2, Josias de Lima, disse que manteve contato com Carla Sampaio e soube que ela estaria, inclusive, construído uma casa na região onde mora atualmente. “Por isso, estou pedindo autorização do promotor [Ricardo Rotunno] para continuar morando lá”, afirmou o jovem, admitindo que ocupa a casa ilegalmente.
Na época da invasão da casa, o presidente da Associação mostrou cópia de um pedido de vistoria nas casas sorteadas do conjunto. “Muita gente que não precisa ganhou aquelas casinhas, já faz três meses, e a maioria continua fechada (sic)”, disse ele, confirmando que solicitou, em ofício protocolado na Secretaria de Planejamento, que uma das unidades fosse repassada ao filho, até então morando em um quarto da casa dele.
Segundo o dirigente, a lei 3601, que dispõe sobre a política municipal de habitação de interesse social em Dourados, diz que os beneficiários de imóveis devem ocupar as casas dentro de 30 dias, sob pena de terem o benefício revertido em favor do Município. Diz ainda que a Prefeitura não se responsabiliza por eventuais invasões após esse período. Josias reiterou ao Douranews que “ainda tem casas fechadas” na região. Atualmente, o dirigente integra, ainda, o Conselho Municipal de Habitação.