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Vereadora denuncia que índios da Panambizinho estão abandonados

24 de março 2015 - 19h43 Por Redação Douranews
Vereadora denuncia que índios da Panambizinho estão abandonados

 Os indígenas da aldeia Panambizinho estão há mais de dois anos recebendo atendimento médico em meio aos entulhos e obras inacabadas no Posto de Saúde da aldeia. A infraestrutura básica do local deveria ter sido entregue em 2013 e custou aos cofres públicos mais de R$ 182 mil reais, um investimento do Fundo Municipal de Saúde de Dourados. O atendimento é realizado em salas sem água, energia, portas, janelas, móveis e, principalmente, sem banheiro. Quando é necessário, pacientes e profissionais usam a vegetação ou utilizam o banheiro de casas vizinhas.

A constatação é da vereadora Virginia Magrini (PP), após receber denúncia e visitar o local, antes de protocolar, na tarde desta terça-feira (24), o relato oficial com pedido de providências sobre a situação encontrada na aldeia, aos Ministérios Públicos Estadual e Federal, já que estes mesmos investimentos estavam disponibilizados para a Prefeitura desde 2009 pelo Governo Federal para terminar as obras. As informações foram pauta do Jornal Nacional em 2011.

Segundo os pacientes, que aguardam atendimento ao lado de fora da unidade sentados no chão, já que o posto de saúde não disponibiliza cadeiras nem para os profissionais que realizam as consultas, a antiga unidade que mesmo precária era funcional, foi destruída antes de começar as obras do atual posto de saúde, ficando os poucos móveis amontoados em algumas salas.

De acordo com o dentista Hermes Hespanhol, que atende os indígenas em um veículo cedido pela Sesai (Secretaria nacional de Saúde Indígena), de forma improvisada e precária, a comunidade indígena está abandonada mais uma vez. “Estamos aqui diariamente há alguns anos. O ‘Brasil Sorridente Móvel’ de alguma forma, ajuda, mas não basta. O veículo foi disponibilizado em 2012, mas poderia estar auxiliando outro profissional em assentamentos. Só consigo tratar urgência básica. É uma pena que todo nosso material instrumental está guardado em sacolas e deixadas ao chão. Não posso desenvolver programas com as crianças, como flúor ou escovação aqui no posto. A água que uso para trabalhar e beber, trago de casa”, disse Hespanhol.

O programa Hiperdia, que realiza atendimento semanalmente nas unidades básicas de saúde, aos diabéticos e hipertensos, não está sendo colocado em prática, bem como o acompanhamento do pré-natal às gestantes, da mesma forma o controle da tuberculose não está sendo realizado, assim como os serviços e tratamentos de Saúde Mental. Segundo o clínico geral Maurício Baena, o atendimento humanizado (pessoa física do profissional) ainda está sendo realizado. “Aqui contamos com uma enfermeira, um nutricionista e um dentista. Estamos diariamente tentando ajudar esse povo, que vem até o local porque precisa e temos o dever de ser mais humano. Mas não temos infraestrutura nenhuma. Fazemos coleta de preventivo, por exemplo, em uma sala que improvisamos uma porta e fechamos a janela com papelão. Nem água tem para lavar as mãos entre um atendimento e outro”, enfatizou o médico.

Segundo o conselheiro do Conselho Local de Saúde Indígena, Reginaldo Aquino da Silva, garrafas pet e baldes com água são levados diariamente ao posto de saúde para realizar a higienização dos profissionais quando necessário. Ele ainda relatou à parlamentar que, já que no local não tem portas ou janelas, os animais invadem e dormem na unidade de saúde. “No início do ano, pulgas tomaram conta das salas e o atendimento foi suspenso por uma semana”, lembrou Reginaldo. Sem local adequado para funcionar como uma farmácia, os medicamentos estão guardados em arquivos velhos e enferrujados, em uma sala que molha quando chove e podem ser roubados a qualquer momento, como reproduziu a assessoria da vereadora.