Buscar quarta-feira, 2 de setembro de 2026
(67) 99913-8196
Dourados
15°C
Dourados

Moradores prometem resistir em casas invadidas

16 de abril 2015 - 15h46 Por Redação Douranews
Moradores prometem resistir em casas invadidas

Famílias de sem-teto que ocupam desde à noite de sábado (11) passado as casas em construção no conjunto residencial Dioclécio Artuzi III, prometem resistir a qualquer tentativa de desocupação dos imóveis. “Se sair daqui, vamos ter que esperar pelo menos mais quatro anos até conseguir uma casa”, afirma Samara Rocha Campos, inscrita no programa de habitação do Município há sete anos.

A presença do Douranews na manhã desta quinta-feira (16) no conjunto provocou imediata reunião de moradores. Pelo menos uns 200 ocupantes de casas se aglomeraram em um dos cruzamentos de casas. Eles confirmaram que cerca de 80% dos invasores possui inscrições no Departamento de Habitação da Prefeitura e não negaram que alguns chegaram a pegar peças como tanques, pias e vasos sanitários para adaptar algumas casas ocupadas.

“Aqui ninguém veio com o fim de destruir nada; queremos pagar pelas casas. Se a empreiteira não dá conta de concluir, nós estamos dispostos a reunir o pessoal aqui e assumir o restante, cada um de nós acaba de construir a casa que vai ficar”, sugeriu Davi Gomes Pereira, desempregado, afirmando que também aguarda há sete anos pelo sorteio.

Luciana Ferreira Sales, portadora de necessidade especial, paga aluguel de R$ 350 por mês no Parque das Nações II e também decidiu ocupar uma das casas, com o filho Alessandro, de 2 anos, nascido com má formação congênita que o impede de se locomover. “Não deveria haver um critério diferente pra gente como nós?”, indaga a mãe do menino.

Alguns moradores chegaram a se exaltar, criticando a postura da Caixa Econômica que não fiscaliza a aplicação do dinheiro do Governo federal, através do programa Minha Casa, Minha Vida. “No dia que nós chegamos aqui, a empreiteira mandou retirar o resto de material que ainda tinha no canteiro, só deixou uns guardas”, relatou Davi. No calor das manifestações, o menino Felipe Oliveira, de 8 anos, pediu: ‘Quero uma casa pra minha vó”.

Caixa

A assessoria de comunicação da Caixa Econômica Federal, em Campo Grande, informou que Ação de Reintegração de Posse já está sendo movida para liberar as casas para serem concluídas e entregues às famílias sorteadas. “Mas, primeiro nós estamos aguardando a saída pacífica, que está sendo negociada através dos nossos parceiros, pessoal ligado ao Governo e à Prefeitura”, disse a assessoria.