A Associação Comercial e Empresarial de Dourados (Aced) completa em 2015 70 anos de fundação. A data será celebrada no dia 29 de maio e uma das novidades será a publicação de um livro histórico da entidade, de autoria do escritor e jornalista Luís Carlos Luciano. A obra começou a ser redigida no segundo semestre de 2014 tendo como fonte de pesquisa os livros-ata da associação. O lançamento oficial do livro “Aced 70 Anos” já está marcado para o dia 29 de maio, no auditório da entidade, integrando as comemorações do aniversário.
Luís Carlos Luciano conta que a ideia inicial incluía a elaboração de um documentário da instituição, mas logo a diretoria da entidade sugeriu a redação de um livro histórico – projeto mais ousado e que exigiu uma pesquisa mais ampla sobre a própria história de Dourados. “O ponto mais difícil foi o prazo, porque a Aced tem um acervo muito grande e foi preciso pesquisar muito para que esta história pudesse ser contada”, explica o jornalista, ao ressaltar que o primeiro passo foi ler e transcrever todas as atas para então traçar um caminho e iniciar a redação da obra. “A escrita de um livro é um trabalho artesanal, de solidão mesmo. Foi um desafio muito grande, mas é impossível escrever um livro sem passar por isso”, acrescenta.
Além do material disponibilizado pela Aced, a pesquisa histórica também incluiu o acervo do Centro Cívico Antônio João, do Clube Social de Dourados e do antigo Clube dos Criadores – que supostamente teria originado o Sindicato Rural de Dourados. O professor Paulo Cimó, do Centro de Documentação Regional da UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados), também colaborou na pesquisa histórica de Dourados a partir de pesquisas e trabalhos acadêmicos.
O escritor conta que, após avaliação do material a ser publicado, optou por dividir o livro por temas, abordando ciclos importantes para a cidade e também para a entidade. “Foi muito interessante constatar que a história da Aced vem a somar com a compreensão da própria história de Dourados. Percebemos que há uma interferência muito forte dos membros da associação no desenvolvimento da cidade”, destaca Luciano.
Memórias
A Aced foi oficialmente fundada no dia 29 de maio de 1945. De lá para cá, diversas personalidades douradenses passaram pela diretoria da instituição, levantando uma série de histórias e curiosidades que são abordadas no livro. Uma delas, segundo Luís Carlos Luciano, é a discreta rivalidade do presidente Horácio Cerzósimo de Souza (gestão 1964-1965), líder da UDN, com o então prefeito Napoleão Francisco de Souza, do PTB, que administrou Dourados de 1962 a 1967.
Outro fato curioso, segundo ele, é um relato de navegação pelo rio Dourados – as atas relatam que uma família de japoneses teria vindo de barco do interior do Paraná até Dourados. As atas, segundo ele, também citam o rio Dourados como travessia para o transporte de mercadorias como a erva-mate.
A implantação da estrada de ferro do distrito de Itahum nos anos 40 também é abordada nos documentos da entidade, que relatam o deslocamento de um grupo liderado pela Aced, que teria saído de Dourados ainda de madrugada e chegado ao distrito na hora do almoço. Hoje, este mesmo trajeto (em torno de 60 quilômetros) pode ser feito de carro em menos de uma hora. “Naquela época não havia estrada; eles iam pelo meio do mato mesmo”, relata o autor.
Segundo Luís Carlos Luciano, a publicação do livro histórico da Aced deverá abrir caminho para outros historiadores, já que o acervo está sendo digitalizado pela UFGD e ficará disponível para futuras pesquisas. Depois de escrito, o livro passou por mais de dez revisões antes de ser encaminhado para a finalização e impressão. “Escrever um livro não é apenas contar uma história. Um livro precisa ter alma, precisa ter vida. E isto precisa transcender durante a sua construção”, comenta.

Sobre o autor
Luís Carlos Luciano atua como jornalista desde 1982. Trabalhou por mais de 20 anos no jornal O Progresso, passando depois por outros veículos como o impresso Diário MS e o eletrônico Dourados Informa. É funcionário efetivo da Prefeitura Municipal de Dourados, onde também atuou na assessoria de comunicação. Atualmente, é presidente do Sindicato dos Jornalistas da Grande Dourados (Sinjorgran), atua na diretoria da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e é membro da Academia Douradense de Letras.
Nos anos 90, como ainda não havia faculdade de Jornalismo em Dourados, ingressou no curso de Letras com ênfase em jornalismo na Unigran. Foi lá que se apaixonou pela literatura – o que viria a ser seu segundo ofício. “Hoje, não sei dizer se sou mais jornalista ou mais escritor. São artes muito parecidas. Na realidade, o jornalismo é a literatura feita às pressas”, filosofa. Foi no curso de Letras que Luís Carlos Luciano mergulhou no mundo das pesquisas, engatando em seguida uma pós-graduação em Teoria da Literatura e Literaturas de Língua Portuguesa.
O primeiro livro foi escrito em 2003, em comemoração ao aniversário de 10 anos do Diário MS. Depois, Luís Carlos Luciano também relatou a história da Câmara Municipal de Dourados; a biografia do coronel José Alves Marcondes e a chamada “obra de intervenção” com o arquiteto Luiz Carlos Ribeiro. No final do ano passado, lançou o romance “Betânia”, que em hebraico quer dizer “Lar para pobres”. O livro histórico da Aced é a sexta obra publicada pelo escritor.