O MPF (Ministério Público Federal) em Mato Grosso do Sul requisitou terça (15) à PF (Polícia Federal) a abertura de inquérito para investigar supostas ameaças ao antropólogo e professor da Faind (Faculdade Intercultural Indígena) da UFGD, Levi Marques Pereira, realizadas depois que o nome dele foi falsamente vinculado a estudos antropológicos de áreas em Dourados, no sul do Estado, e divulgado junto a proprietários rurais e empresa de segurança contratada por estes.
O professor compareceu ao MPF em Dourados na segunda-feira (14) para prestar informações, relatando que, nos dias anteriores, um “carro estranho” havia rondado a casa dele e que também havia sido informado que “os proprietários rurais estavam muito bravos porque supunham que (ele) havia feito os estudos antropológicos referentes a área recentemente ocupada por indígenas”, às margens da reserva de Dourados, próxima ao anel rodoviário do município.
Levi declarou que não participou dos estudos antropológicos na região, no entanto, “pouco adiantaria procurar os interessados, especialmente no estado de exaltação” em que se encontravam, segundo disse ao MPF. Outros dois servidores da UFGD também prestaram declaração ao Ministério Público Federal, confirmando o que foi dito pelo professor e acrescentando que haviam sido informados que os proprietários rurais “estavam se armando”.
Mato Grosso do Sul é o estado com os mais graves conflitos fundiários entre indígenas e proprietários rurais do País, segundo levantamento doMPF. Somente no ano passado, 25 mortes de indígenas foram atribuídas ao conflito. Em 2013, após a morte do terena Oziel Gabriel durante reintegração de posse, o governo federal instituiu mesas de negociação entre proprietários, indígenas e instâncias governamentais. As negociações, contudo, não avançaram, ao contrário do conflito, que recrudesce cada vez mais, conforme revela o organismo judicial.