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Sitiantes se mobilizam contra invasões de indígenas

17 de março 2016 - 22h33 Por Redação Douranews
Sitiantes se mobilizam contra invasões de indígenas

A Aced (Associação Comercial e Empresarial de Dourado) divulgou nota nesta quinta-feira (17), em conjunto com a 4ª Subseção da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e o Sindicato Rural de Dourados, declarando ‘apoio incondicional’ aos sitiantes de Dourados que tiveram as áreas invadidas no início do mês por índios que alegam direito de posse daquelas propriedades. A Aced, assim como as demais entidades, repudia a ação criminosa dos invasores e destaca a ilegalidade destas ocupações.

As entidades também cobram agilidade do MPF (Ministério Público Federal) na resolução do conflito e reintegração de posse das propriedades rurais. Sitiantes da região do Anel Viário tiveram áreas ocupadas ou vivem com ameaças de invasão desde o final de semana passado.

Liderados pelo ruralista Gino José Ferreira, o grupo procurou essas entidades em busca de apoio, anunciando que planejam, ainda, uma série de movimentos para protestar contra as invasões. Eles reclamam do clima de terror vivido pelas famílias moradoras na área invadida.

sitiantes aced menor

Gino Ferreira leva sitiantes em busca de apoio de entidades contra invasões

Vanilda Alves Valentim, de 32 anos, contou que precisou fugir de madrugada com o marido e os três filhos um dia depois de o sítio da família ter sido invadido, no primeiro sábado (5) deste mês. “Peguei apenas roupas e alguns documentos. Voltamos no dia seguinte e a casa já tinha sido ocupada. Saquearam tudo o que tinha dentro e destruíram tudo o que construímos em onze anos de muito trabalho”, lamenta a mulher que agora diz que é obrigada a morar “de favor” com a mãe.

Da propriedade de 19 hectares, segundo ela, quase nada sobrou. “Mataram os cachorros, roubaram as galinhas, depredaram a casa e destruíram o mangueiro que meu esposo construiu há pouco tempo. Até os canos dos poços foram destruídos”, afirma a sitiante, que estima um prejuízo de pelo menos R$ 50 mil.

Outra sitiante, que preferiu não ter o nome divulgado, disse estar ‘encurralada’ dentro da sede, já que os invasores ocuparam a propriedade e lá permanecem há mais de dez dias. “Morro de medo de sair e não conseguir voltar. Já botaram fogo no canavial, destruíram as cercas e roubaram as galinhas. Eles fazem terrorismo querendo que eu saia, mas não vou sair”, afirmou.

Procuradoria

Durante a reunião, o grupo reclamou de falta de apoio e principalmente de medidas efetivas por parte das autoridades jurídicas e policiais. Eles disseram ser contra o confronto com os invasores, mas temem que a situação se arraste devido à passividade dos órgãos competentes.

O próximo passo do grupo é tentar marcar uma audiência com o procurador federal Marco Antônio Delfino de Almeida, do MPF, em busca de uma solução imediata para o problema. Caso esta medida não surta efeito, o grupo não descarta a realização de manifestos em busca de apoio da sociedade para o problema.