As aulas de Português para haitianos promovidas pelo projeto de extensão “Ações de facilitação da inserção social de haitianos em Dourados”, em parceria com o Centro de Formação da UFGD, vão recomeçar dia 14 de março e ocorrerão em quatro locais e horários, informa a assessoria da Universidade.
Neste domingo (24), inclusive, acontece encontro da comunidade que se abrigou no Brasil para a inauguração da Associação dos Haitianos de Dourados, às 15 horas, no salão da igreja Rainha dos Apóstolos, na rua Alberto Leopoldo, 2842, no conjunto Izidro Pedroso.
De acordo com o cronograma, as aulas acontecerão às segundas e quintas-feiras, às 19 horas, na Escola Floriana Lopes; todas as quintas-feiras, também, às 9 horas, na Igreja Rainha dos Apóstolos; e aos sábados, às 15 horas, na Casa Irmã Dulce. As aulas são gratuitas e os haitianos podem frequentar o horário e local de sua escolha. Não é preciso fazer inscrição.
Aprender Português é uma necessidade urgente para que o imigrante possa localizar-se na cidade, ser melhor atendido nos serviços de Saúde e no comércio e encontrar trabalho, que é uma das principais razões da saída do Haiti. A aproximação entre Brasil e Haiti começou mais intensamente no ano de 2004, com a Missão Brasileira da ONU, mas o maior fluxo de imigrantes teve início depois do terremoto de 2010 que devastou aquele país.
A coordenadora do projeto, professora Carolina de Campos Borges, da FCH (Faculdade de Ciências Humanas) da UFGD, explica que na prática as aulas são muito mais do que um lugar para se aprender a língua local. “Nossa aula funciona também como espaço de acolhimento. Lá os haitianos têm a oportunidade de falar sobre suas dificuldades, compartilhar experiências e se fortalecer enquanto grupo. A experiência da migração é difícil, sobretudo quando se trata de uma migração forçada, como é o caso dos haitianos, ou dos venezuelanos, que estão chegando agora ao Brasil. Migrar é mais do que se deslocar, pois o que se vivencia é uma ruptura de sentidos. Por isso, a sociedade precisa se organizar para desenvolver ações que auxiliem esta população, visando não somente suprir necessidades materiais, mas também diminuir o sofrimento que pode advir dessa experiência”, disse a professora do curso de Psicologia da UFGD.
As aulas de Português para haitianos são realizadas desde 2017 e a mobilização para que elas acontecessem começou com Luis Dalai que conseguiu uma sala no estádio Douradão, por meio de uma parceria com a Prefeitura, e a partir daí começou a procurar pessoas que soubessem falar Francês para poder ensinar Português. Em 2018, as aulas aconteceram na escola estadual Professora Floriana Lopes e este ano foi ampliado ainda mais.