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MP manda Promotoria investigar denúncia de ameaças contra médicos plantonistas

07 de junho 2021 - 18h01 Por Redação Douranews
MP manda Promotoria investigar denúncia de ameaças contra médicos plantonistas Diretora-técnica da Funsaud, Angela Marin será investigada após denúncia de ameaças contra médicos — Divulgação

O Procurador de Justiça Olavo Monteiro Mascarenhas, Ouvidor do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) determinou que a Promotoria de Dourados investigue a denúncia de que profissionais estão se demitindo da Funsaud (Fundação de Serviços de Saúde) no Município por não concordar com as atitudes autoritárias e sem parâmetros da direção técnica da Funsaud que inclusive tem ameaçado registrar BOs (Boletins de Ocorrência) na Polícia contra os plantonistas que faltarem o plantão, ou ainda por descumprirem a ordem de não indicar fármacos necessários ao atendimento de pacientes internados nas unidades da UPA e Hospital da Vida, gerenciadas pela Fundação.

A denúncia, encaminhada de forma anônima à Ouvidoria do MP em Mato Grosso do Sul, foi a forma encontrada para que, conforme recomenda o Procurador Olavo Mascarenhas, seja apurado se “está havendo oferta de valores pagos a mais para a hora do plantão médico fora do valor contratualizado para prestação de serviço, e que muitas vezes esse valor chega a R$ 160,00 a hora para poder manter plantonista na unidade UPA, pois a maioria deles estão se demitindo por não concordar com as atitudes autoritárias e sem parâmetros da direção técnica da Funsaud”.

Mascarenhas mandou a Promotoria de Dourados investigar ainda se confere a ordem dada pela diretora técnica Angela Marin “para não disponibilizar medicações cruciais para sedação de pacientes, como fentanil e midazolam, inclusive, podendo estar de forma criminosa e irresponsável abreviando a vida de pacientes”, com base em prints de conversas anexadas na denúncia.

O Procurador da Ouvidoria do MP pediu urgência na apuração “para evitar esse tipo de acontecimento” e mandou que sejam ouvidos, além da direção da Funsaud e de servidores, o secretário municipal de Governo e Gestão Estratégica da Prefeitura, Henrique Sartori, no sentido de coibir “o risco iminente de vida a pacientes usuários do Hospital da Vida”.

Morte na UPA

No final de semana, por falta de assistência médica, morreu um paciente que deu entrada na UPA com quadro clínico agravado em consequência da Covid. No sábado (5) a própria diretora técnica Angela Marin havia alertado o prefeito, além de Sartori e o secretário interino de Saúde, Edvan Moraes, de que não haveria médicos para atender às 22 pessoas internadas no local. Nenhuma providência foi tomada e o paciente Wanilton Alves Pereira, de 50 anos, morreu mesmo diante da tentativa de socorristas do Samu, acionados ao local, de reanimação.

Porta-voz do Município publicaram, nesta segunda-feira (7), a informação de que o paciente foi internado por volta de 21 horas, no sábado (5) e que quadro dele piorou na manhã de domingo. “Imediatamente a equipe de enfermagem fez os procedimentos necessários e recomendados, para tentar descomprimir o pulmão e facilitar a respiração do paciente”, relatam. O Samu só foi chamado às 11h30, mas não havia mais o que fazer.

Nesta segunda-feira, para tentar minimizar o ocorrido, a Funsaud informou que publicou na semana passada edital de chamamento público para credenciamento de médicos generalistas e pediatras para atuarem em regime de escala no Hospital da Vida e na UPA para atender a atenção básica à saúde.