Retomada da linha ferroviária vai facilitar escoamento da produção — Divulgação
Apesar de ser uma entidade de classe, voltada prioritariamente aos interesses dos produtores rurais, o Sindicato Rural de Dourados tem se destacado cada vez mais no Mato Grosso do Sul pela viabilização de diversas conquistas junto ao poder público, que resultam em benefícios à toda população do Estado. Isso porque é formado por um grupo de diretores e associados com notório conhecimento sobre a realidade e as demandas do município, além de ter unidade, influência e grande habilidade de articulação política.
Com isso, o Sindicato tem sido reconhecido com um dos grandes propulsores do desenvolvimento de Dourados e região, atraindo a atenção do País para a cidade, conforme demonstra um dos exemplos dessas conquistas, ainda que pouco conhecido, porém, não menos importante: a conquista de 76 km de ferrovia, que vai ligar as cidades de Maracaju a Dourados.
A obra, esperada há décadas, foi confirmada no lançamento do Pro Trilhos, o Programa de Autorizações Ferroviárias do Ministério da Infraestrutura, garantido por Medida Provisória.
O agrônomo Ângelo Ximenes, presidente do Sindicato Rural, lembra que tudo começou no dia 30 de outubro de 2020 “quando protocolamos no Mapa (o Ministério da Agricultura e Pecuária) um documento solicitando a ampliação do Aeroporto Regional de Dourados e também a reativação do modal ferroviário no Estado, mediante a implantação do trecho de ligação de Dourados ao Porto de Paranaguá. Em seguida, o Mapa encaminhou nossas demandas ao Ministério de Infraestrutura, que fez o estudo técnico necessário e aprovou a viabilização da obra”, falou.
O contrato entre o Ministério da Infraestrutura e a Ferroeste (Estrada de Ferro Paraná Oeste S.A), empresa que vai executar a obra, já foi assinado no dia 9 de dezembro do ano passado. A Ferroeste pediu o prazo de um ano para colocar o trecho em atividade, em que ficará responsável “por executar obras de construção, ampliação, expansão e modernização”, conforme minuta do acordo, e sofrerá punição caso não cumpra as obrigações a serem definidas.
Serão investidos R$ 2,85 bilhões no trecho, que vai transportar 6,5 milhões de toneladas no primeiro ano de atividade, com previsão de chegar a 18,7 milhões de toneladas em 2087, conforme estudo de viabilidade técnico-operacional e econômico apresentado pela empresa.
Ainda segundo Ângelo, a participação das ferrovias na matriz logística do agronegócio brasileiro vai reduzir custos e melhorar a eficiência do transporte da produção agropecuária do País. “A participação do custo da logística no preço final do agronegócio brasileiro é mais elevada do que o dos seus concorrentes, mesmo assim, o Brasil é destaque mundial na produção e na exportação de alimentos. No entanto, a cadeia produtiva enfrenta gargalos logísticos que comprometem a competitividade dos produtores. O transporte desses produtos custa cerca de R$ 40 bilhões por ano, sendo que o escoamento é feito 65% por meio de rodovias”, disse.
“Para produzir soja no Brasil gasta-se cerca de quatro vezes mais em transporte do que a média de alguns países, como Estados Unidos e Argentina. O custo dessa logística pode representar até 15% do preço final da soja, por exemplo, fazendo com que o grão brasileiro perca competitividade no mercado internacional. Diante disso, o aumento da eficiência no transporte, com a redução de custos por meio de ferrovias, pode representar um crescimento das exportações e o fortalecimento da economia brasileira”, concluiu.
A Nova Ferroeste vai ligar Maracaju ao Porto de Paranaguá, com traçado entre Maracaju, Dourados, Amambai, Guaíra e Cascavel. A intenção é interligar Maracaju e Cascavel (PR), revitalizar o trecho ferroviário de Cascavel a Guarapuava (PR) e construir uma nova ferrovia entre Guarapuava e Paranaguá (PR), além de um ramal entre Cascavel e Foz do Iguaçu (PR).
Em território paranaense a ferrovia já existe e liga Cascavel ao Porto de Paranaguá. A continuidade do traçado fará com que a ferrovia seja estendida até Guaíra (PR), entre em Mato Grosso do Sul, passe por Dourados e chegue a Maracaju, cidade onde ela poderá ser conectada com os trilhos da Malha Oeste.
Aeroporto
Outra solicitação do Sindicato Rural no documento foi a ampliação e modernização do Aeroporto Municipal Francisco de Matos Pereira, que já está recebendo investimentos na ordem de R$ 15.196.212,11.
Os serviços estão sendo executados pelo Exército Brasileiro, por meio do 9º BEC (o Batalhão de Engenharia de Construção), em conjunto com a SAC (Secretaria de Aviação Civil), Governo do Estado e Prefeitura de Dourados. Inaugurado em 1982, é a primeira vez que o aeroporto receberá uma obra desse porte.
Com a obra, a pista de pouso passará a ter 1.775 metros de extensão, cuja conclusão está prevista para setembro deste ano. O espaço físico também será totalmente ampliado. Um novo terminal de embarque será construído, cerca de três vezes maior que o atual, além de uma nova sala de EPTA (Estação Prestadora de Serviço de Telecomunicações e de Tráfego Aéreo) e uma nova seção contra incêndio, que é o prédio do Corpo de Bombeiros no local.
A conclusão definitiva dos trabalhos de reforma da pista de pouso e decolagem, entretanto, com ampliação para operar com voos de grande porte, e um novo terminal de passageiros, está prevista para o segundo semestre do ano que vem.