No dia em que desapareceu, Ariane usava esse mesmo casado amarelo da foto — Arquivo Pessoal/Reprodução
O adolescente de 17 anos que confessou ter matado a indígena Ariane de Oliveira, de 13 anos, foi levado para a Unidade Educacional de Internação (Unei) Laranja Doce em Dourados. A menina é neta do cacique Getúlio de Oliveira, da aldeia Jaguapiru, e foi encontrada morta após ter desaparecido no dia 3 de setembro.
O autor, que não teve a identidade revelada, foi encaminhado para a Unei enquanto o processo pela morte da garota corre. A situação é equivalente a uma prisão preventiva, com a diferença de que, legalmente, menores de 18 anos são submetidos a medidas socioeducativas, mais conhecidas como internação, de no máximo três anos.
O adolescente apreendido vai responder por ato infracional por homicídio qualificado. Se fosse um adulto, o crime seria o feminicídio, cuja pena é entre 12 e 30 anos.
Crime motivado por ciúmes
Ariane ficou oito dias desaparecida e o corpo foi encontrado neste domingo (11), em meio a uma matagal. Um jovem, de 17 anos, confessou ter sido apreendido em flagrante após confessar ter estrangulado adolescente até a morte.
Segundo o delegado que investiga o caso, Dermeval Inácio, o suspeito foi localizado nas redondezas e conduzido para a delegacia com o apoio da liderança indígena. Durante o depoimento à polícia, o suspeito confessou ter matado a jovem por ciúmes e depois escondeu o corpo para que não fosse encontrado.
O delegado representou pela internação provisória do suspeito e ainda não se sabe o envolvimento do jovem com a vítima. O caso segue sendo investigado como feminicídio.
Entenda o caso
Ariane desapareceu no dia 3 de setembro, de sua casa, na aldeia Jaguapiru. Segundo a mãe da adolescente, Aldeneia Oliveira, durante a noite, a menina e o irmão estavam brincando com o celular quando ouviram alguém bater na porta. Ela saiu para ver quem era e não foi mais vista.
"Fomos dormir, horas depois o meu filho me chamou avisando do barulho e minha filha já tinha desaparecido. Passamos a noite procurando pela minha filha. No sábado procuramos o cacique, ele acionou as autoridades sobre o desaparecimento", comentou a mãe da menina na época.