Rui Barbosa, com o filho e o neto: legado social — Arquivo/Hedio Fazan
O empresário Rui Barbosa, que faleceu na noite desta segunda-feira (17), aos 78 anos de idade, depois de permanecer um mês internado no Hospital do Coração em decorrência de um procedimento cardíaco, tinha um sonho de justiça social: Ele encabeçou, em fevereiro de 2011, a criação do Observatório Social de Dourados, iniciativa pela qual pretendia reunir demais instituições da sociedade no controle social do uso dos recursos públicos, acompanhamento de licitações e na vigilância contra a corrupção, em todos os órgãos da administração pública direta e indireta no Município.
A instalação oficial do OSD, durante evento na Aced (a Associação Comercial e Empresarial de Dourados), contou com o apoio da CDL (Câmara dos Dirigentes Lojistas), Sindicom (o Sindicato do Comércio Atacadista e Varejista de Dourados), da Acomac (Associação dos Comerciantes de Materiais de Construção de Dourados e Região), Sindicato Rural de Dourados, Ministério Público, auditores da Receita Federal e Polícia Federal, Magistratura, Conselho de Contabilidade e por entidades sociais do município, como o Rotary, a Maçonaria e Lyons, entre mais de 20 organizações e instituições religiosas.
Um dos primeiros atos, sob a liderança de Rui Barbosa, um dos pioneiros também do ramo imobiliário na região, ao liderar a formação da Colméia Imóveis hoje sob a regência do filho Rui Barbosa Junior e já assessorado pelo neto Rafael Barbosa, 46 anos depois da fundação, foi encaminhar ao prefeito que viria a ser eleito após os escândalos das operações ‘Owari’ e ‘Uragano’ na cidade, o atual vice-governador Murilo Zauith, um pedido formal de informações sobre todos os processos de licitação em andamento na gestão municipal e demonstrativos da aplicação do dinheiro do contribuinte.
No ato de criação do Observatório, dia 21 de fevereiro de 2011, na Aced, Barbosa invocou o apoio da população “para nos ajudar a adiante esse projeto para o qual também com o apoio constitucional e de todas as autoridades que estiveram aqui presentes”, entre eles, à época, o próprio prefeito eleito, Murilo Zauith, que prometeu abrir a administração ao Observatório Social e compartilhar responsabilidades com o novo organismo de controle social do município.
O então delegado da Polícia Federal, Bráulio Cézar da Silva Galloni, que havia acabado de conduzir as duas operações envolvendo políticas e empresários da cidade, comentou que a constituição do OSD acontecia num contexto de falhas de alguns “filtros”, que seriam os administradores de primeiro e segundo escalões na gestão pública. “Se os servidores são éticos, muita coisa já se resolve, mas quando esses filtros falham, a sociedade tem que resgatar as rédeas e, é claro, o OSD vai trabalhar mais ou menos dependendo da transparência da administração, mas na ordem natural das coisas, negociatas e falcatruas não terão espaço se o administrador, se o secretariado é ético”, disse o delegado.
Informação:
O funeral de Rui Barbosa acontecendo no Complexo Primavera, localizado na Rua Hilda Bergo Duarte, 1135, de onde sairá o corpo para sepultamento às 16 horas desta terça-feira (18), em Dourados.