Manifestantes cercam carro em frente ao quartel — Reprodução/Rede social
O episódio envolvendo um carro vermelho, onde os ocupantes manuseavam bandeiras com a propaganda do candidato Lula, eleito presidente da República em segundo turno nas eleições do último domingo (30) do mês passado, pela área ‘ocupada’ por apoiadores de Bolsonaro, neste sábado (12), revela o clima de tensão que começa a ganhar contornos arriscados na pós-disputa eleitoral.
Imagens que circulam nas redes sociais mostram quando o carro vermelho passa pelo trecho da avenida Guaicurus, entre o quartel da Brigada Guaicurus e o CTG (Centro de Tradições Gaúchas), onde há duas semanas foi instalado um ‘aquartelamento’ externo de pessoas, a maioria apoiadoras do projeto eleitoral de Jair Bolsonaro, reivindicando a intervenção do Exército para contornar a divisão nacional estabelecida após as eleições.
Desde que o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) reconheceu que Lula foi o ganhador, após obter 50,90% (60.345.999 votos) contra 49,10% (58.206.354) dados ao atual presidente, o clima de divisão no País ficou claro. Nas principais cidades brasileiras há manifestos questionando o resultado das urnas.
A situação levou as Forças Armadas a elaborarem um relatório analítico, buscando tirar dúvidas sobre a veracidade do resultado eleitoral que, apresentado ao TSE com ressalvas, deveria ter dado por encerrado o pleito. Mas, o que se percebe é que, até o dia 19 de dezembro, data prevista para a diplomação dos eleitos, o confronto vai continuar.
Neste sábado (12) aumentaram, inclusive, os rumores de uma ação – não confirmada - do Exército contra as investidas do presidente do TSE, ministro Alexandre de Moraes, que a cada dia edita uma nova medida classificando de anti-democrática a ocupação dos quartéis e principais rodovias do País pelo grupo que contesta o resultado eleitoral. O Douranews apurou que haverá um ato militar nas ruas previsto para os próximos dias.
Deu Polícia
O fato ocorrido na avenida Guaicurus, inclusive, chegou a merecer manifesto do Simted (o Sindicato dos trabalhadores na Educação de Dourados) em nota conjunta, assinada também por dirigentes do Comitê de Defesa Popular, dos DCEs (Diretório Central de Estudantes) da Uems e da UFGD e pela Aduf (Associação de Professores da Universidade Federal), contestando “o caráter violento”, segundo dizem, do grupo de manifestantes bolsonaristas na avenida Guaicurus.
Até um boletim de ocorrência foi aberto na Depac (a Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) da Rua Cuiabá, onde uma pessoa identificada como Djalma Salvino dos Reis relata que atuava como voluntária do controle de tráfego de veículos na região ocupada pelos manifestantes da avenida Guaicurus quando o Fiesta de cor vermelha, placas OOJ 6394, ocupado por duas pessoas, passou pelo local “provocando, balançando bandeiras vermelhas com o nome Lula”, conforme o boletim.
Relata ainda o comunicante que pediu aos lulistas para se retirarem do local, inclusive, por questões de segurança, momento em que a condutora do Fiesta teria avançado pelo canteiro pedindo para o ‘Neguinho’ sair da frente. De acordo com Djalma, os atos “aparentemente foram previamente combinados pelos ocupantes do carro”, razão pela qual decidiu representar criminalmente.
Veja trecho da ocorrência registrada na Depac:
