Arquiteto 'cultiva' a maquete do projeto do Parque — Reprodução
A reabertura do trecho pela via da rua Hayel Bon Faker, entregue na manhã deste sábado (19) pelo prefeito Alan Guedes, e que marcou a construção da ponte sobre o córrego Laranja Doce, cuja pavimentação foi rompida com a força das chuvas no começo do ano, reacende um debate sobre a viabilidade econômico-social de implantação do Parque Ambiental linear do Laranja Doce, um projeto pensado há quase 30 anos pelo arquiteto e urbanista Luiz Carlos Ribeiro, um apaixonado pela causa da preservação da natureza.
O projeto do Parque Laranja Doce desenvolvido por Ribeiro após os levantamentos iniciais feitos pela Prefeitura prevê a ocupação de uma área de 217 hectares, com 6,7 km de extensão, a preservação do córrego com a recomposição da mata ciliar e a criação de uma área pública com equipamentos como parque da nascente, zoológico, horto florestal, jardim botânico, jardins bosques, parque das artes, parque recreativo-desportivo, entre outros.

No dia 5 de agosto de 1994, por iniciativa de Luiz Carlos Ribeiro, foi criado o Comitê Parque Ecológico Laranja Doce, e a partir daí, convencido da importância do empreendimento, o prefeito Humberto Teixeira autorizou o custeio de levantamento geo-topográfico, um estudo que reuniu preliminarmente várias informações adicionais como o tipo de cobertura vegetal existente, perfil das ocupações, infraestrutura existente nas chácaras, ou seja, executou-se a pesquisa fundiária com a identificação e medidas das propriedades incorporadas ao projeto original.
O Governo do Estado, depois disso, concordou em bancar as despesas com o projeto urbanístico contendo o plano diretor da futura ocupação. Em novembro de 1994 o comitê apresentou emenda popular ao orçamento de 1995 para garantir que o projeto saísse gradualmente do papel, elevando o aporte oferecido pelo Município de R$ 4 mil para R$ 1 milhão, depois negociado em R$ 800mil. “No entanto, esse dinheiro, na verdade, nunca saiu”, recorda o jornalista Rozembergue Marques, um ‘dedicado fiscal’ das coisas públicas.
A causa em defesa do sonhado futuro Parque já teve passeata e ato público com mais de 2000 pessoas, palestras em Clubes de Serviços, escolas e universidades, notas de apoio de dezenas de personalidades, jornalistas e empresários da cidade, moções da Câmara Municipal e até audiências com prefeitos e governadores ao longo dessa trajetória, e ainda dois Ministros do Meio Ambiente (Gustavo Krause e Marina Silva), tudo pela implantação do “Parque Ecológico Laranja Doce”. A própria Marina, atualmente cotada para reassumir o Ministério, poderia encampar a tese e, enfim, tirar do papel essa iniciativa de Luiz Carlos Ribeiro.
Mais verde

Moradores dessa área merecem mais que só uma avenida
Como parte do movimento pró-criação do Parque, o então prefeito Laerte Tetila (PT) fez questão de estabelecer, nas duas gestões (2000/2008) à frente do Município, como critério para abertura de loteamentos, que o empreendedor reservasse as áreas de fundo de vale/leitos de córregos, transferindo-as diretamente para a Prefeitura. A lei 55, de 19 de dezembro de 2002, que ficou conhecida como “Lei Verde”, defendia essa necessidade, quando da criação de conjuntos como o Jardim Mônaco, Ecoville e outros que se sucederam, preservando trechos do Laranja Doce que fazem parte do traçado do parque, o que diminuiria a necessidade de desapropriações.
Hoje, entretanto, a região está tomada por novos e vultosos conjuntos, como o Porto Madeiro, Porto Seguro, Unique, Royalle, Hectares, todos devidamente protegidos, com elevado grau de segurança e contornados pela suntuosa avenida Dom Redovino, dividindo a cidade das aldeias indígenas. Quanto ao Parque Laranja Doce, por enquanto, resume-se ao córrego que corta toda a área. E não há notícia de que tenha sido contemplado nos rascunhos do pedido de verba internacional junto ao Fundo da Bacia do Prata.