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´PLANO INFALÍVEL'

Vaza áudio com 'instruções' do Simted para burlar lei

Município está rastreando conversa de Whats para identificar trama

18 de maio 2023 - 16h58 Por Redação Douranews
Vaza áudio com 'instruções' do Simted para burlar lei audio simted

“Não repõe, não repõe (as aulas perdidas). Não limpa. Não varre. É pra fazer cada qual seu trabalho, ninguém repõe, porque todo mundo fez sua parte. Ninguém repõe”.

Esse é um dos trechos de gravação em forma de conversa pelo WhatsApp que vazou no meio da tarde desta quinta-feira (18) e que, pelas evidências, trata-se da combinação de um ‘plano’ para tentar burlar a legislação e fazer com que, mesmo no período da greve anunciada pelo Simted (o sindicato municipal de trabalhadores da Educação) de Dourados para começar segunda-feira (22), seja garantida a permanência dos alunos na escola.

Confira a ‘estratégia’, nas palavras de servidora que já teria sido identificada como integrante da direção sindical e uma das que ajudaram a elaborar a maneira encontrada para prejudicar ainda mais os alunos que, até então, permanecem alheios a essa manifestação e dispostos a continuar frequentando normalmente as aulas na Rede Municipal de Ensino:

- Eu sou do maternal 1 e você é do maternal 2. Na semana que eu estou na greve eu faço meu planejamento e a gente já combina antes que é você que vai ficar com minha turma. Sim, é desgastante, é. Vai juntar turma, vai pro parque, sei lá eu... Como diz o João, vai virar um caos. Mas é esse o plano, entendeu? Tem que ser. Tá atendendo 100%, ninguém dispensou as crianças”.

O João, citado pela interlocutora na conversa vazada pelos canais de Whats, possui indicativos de que seria o professor João Wanderley, ex-presidente e atual presidente do Simted, um dos coordenadores do movimento grevista que está sendo convocado para a partir de segunda-feira (22) no Município.

O áudio trata sobre assuntos sensíveis: reposição de aula, serviços de merenda e limpeza e o que pode ser considerado o mais grave, que é o improviso elaborado e premeditado durante as aulas, como forma explícita de ‘ludibriar’ também as crianças. A diretora sindical citada no áudio continua:

- Eu deixo meu planejamento, atividade, o que for impresso e o que não for (…). O que for de planejamento tá registrado no meu caderno, tá impresso e eu deixo com você (…). Nessa semana você vai dar atividade para a minha turma, com o planejamento que eu fiz, lógico que a gente planeja atividade parecida, tudo isso daí (…). Na semana seguinte você vai pra greve e eu fico. Você faz seu planejamento e você me entrega e deixa registrado no seu caderno (…). A dupla ou trio (de professores) combina isso, combina como vai ser e aí deixa registrado no caderno. Não repõe nada, não repõe”.

Burlar a lei

A suposta ‘armação’, a se confirmar a autenticidade da conversa eletrônica, além de prejudicar os alunos com o conteúdo aplicado de forma improvisada, contraria a lei, pois o professor que não dá aula não pode receber pelo serviço se realmente não trabalhou. Assim, o Município estaria pagando pelo horário trabalhado do profissional sem que ele realmente tenha prestado o serviço. Além de burlar a legislação, quem vai pagar por isso é o contribuinte, o pai de aluno, ou seja, a população de Dourados.

A diretora do Simted também procura envolver os administrativos da Educação na ‘trama’:

- Administrativo a mesma coisa: tem o dia da cozinha e o dia da limpeza. No caso da cozinha, a gente vai ter que ver o que fazer. Mas assim, dia da limpeza, ah então, hoje é a semana que a limpeza tá em greve? Não vai limpar, não vai limpar, simples assim, não é pra quem ficar ter que se desdobrar e fazer as duas partes. Não é isso. A gente só tem que ver como vai fazer com o Ceim (Centro de Educação Infantil Municipal) com relação a refeição. Vamos pensar nisso, mas a ideia é essa: É pra limpar? Não limpa. É pra varrer? Não varre. (…) É pra fazer cada qual seu trabalho, ninguém repõe, porque todo mundo fez sua parte. Ninguém repõe.

A assessoria jurídica da Prefeitura de Dourados já está de posse do material que vazou nas redes sociais, mas ainda não informou quais as providências que pretende adotar. A assessoria disse apenas que confia no bom senso e na serenidade para o diálogo entre as partes: “Com a proposta de 6% de reajuste este ano, somado aos 18,86% do ano passado, os profissionais da educação conquistaram um reajuste equivalente a 1/4 do salário em apenas dois anos, aumento considerável se comparado com a média histórica”. (Com informações do site O Sul-mato-grossense)