Aos 78 anos, Aced segue enxergando além fronteiras — Reprodução
“A associação surgiu numa época de efervescência e mudanças no âmbito local, regional e nacional. Provavelmente havia muito mais em jogo do que interesses intrínsecos. Os comerciantes sentiram a necessidade de se organizarem enquanto classe. O entusiasmo se revela logo nas primeiras atas. Durante a terceira reunião da diretoria, em 12 de agosto de 1945, onde se menciona o Centro Cívico Antônio João, o Clube Social e o Sindicato dos Criadores, a associação já dava o tom do espírito de iniciativa: alertava para a necessidade das quatro entidades se unirem”.

Assim começa a escrita do jornalista Luis Carlos Luciano, contratado para contar, nos 70 anos de comemoração da criação da legendária Acid (a Associação Comercial e Industrial de Dourados) os primeiros 15 anos da epopeia originária da hoje consolidada Aced (a Associação Comercial e Empresarial de Dourados), justamente quando, logo mais, a partir das 18 horas desta segunda-feira (29), se comemora os 78 anos de existência da entidade, vanguarda das principais conquistas que fazem girar a história do Município. Entre os homenageados, o mais longevo, Sizuo Uemura [por sete anos à frente da entidade] e o mais visionário presidente, Junji Miyakawa.
“Pioneirismo. Associativismo. Originalidade. Fé. Vanguarda. Coragem para enfrentar riscos. Planejamento. Mente aberta. Pensar no ontem, hoje e no amanhã. Espírito democrático, política para o bom senso e o equilíbrio, para entender que a defesa do interesse próprio não basta. É preciso pensar grande, pensar coletivamente, aumentar o círculo de comprometimento”, pregava o presidente dos 70 anos da Aced, o empresário Antônio Luiz Nogueira, hoje terceiro membro do Conselho Consultivo, seleto grupo de ex-presidente que reúne ainda os notáveis Nilson Aparecido dos Santos [ocupando a vice-presidência da Faems, a federação das entidade do Estado], Elizabeth Salomão, Francisco Eduardo Custódio, Antônio Freire e Inio Roberto Coalho.
De 29 de maio de 1945 até os tempos atuais é possível constatar a trajetória de conquistas que começou aparentemente acanhada, defendendo a criação da feira-livre que começou a funcionar no dia 15 de agosto do mesmo ano, inicialmente – como pouca gente sabe – no trecho da rua Nelson de Araújo, entre a Marcelino Pires e a Weimar Torres, depois passou para a então rua Santa Catarina, atual Onofre Pereira de Matos, antes de chegar na rua Cuiabá e, por fim, estabelecer-se definitivamente no Espaço Feira Central ‘Totó Câmara’, embora ainda inacabado, no bairro Jardim Rigotti.
No início dos anos 1950 a então Acid encampava a campanha pela construção do aeroporto de Dourados, que funcionou inicialmente na região da Cabeceira Alegre, onde hoje se estabelece a Praça do Cinquentenário e o Sebrae, chegando a doar as telhas do terminal de passageiros; agora, luta pela conclusão dos serviços de ampliação da pista e construção do novo terminal, como providência essencial à abertura aos novos rumos de negócios, como cobra o presidente Paulo Campione.

Ligada nas questões de interesse local e regional, a Acid/Aced ‘comprou’ brigas pela nova sinalização urbana nos anos 60, liderou a campanha pelo primeiro curo de Ciências Contábeis (1985) ainda no campus do Ceud (Centro Universitário de Dourados) da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), pela instalação do GOF, o atual DOF (Departamento de Operações de Fronteira), há 37 anos, integrou o movimento pela criação do curso de Medicina junto com a instalação da UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados) e, já em meados destes anos 2000, pela implantação do Sisfron, projeto estratégico de monitoramento da fronteira, com radares fixo e moveis que vigiam uma extensão de 650 km com sensores óticos e câmeras de longo alcance.

Na sexta-feira (2 de junho), comissão da Aced lidera movimento pelo retorno da ferrovia também para o interior do Estado. Movimento que começou com um ramal da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil na localidade denominada Ministro Pestana, no distrito de Itahum, agora a entidade reforça campanha do deputado Pedrossian Neto pela retomada do trajeto no debate em torno da relicitação da Ferrovia Malha Oeste, cujo trecho principal liga Corumbá até Mairinque, e a inclusão do ramal que vai de Campo Grande a Ponta Porã, passando por cidades importantes, como Sidrolândia e Maracaju.
E seguem as conquistas.