Encontro realizado na OAB foi bastante representativo — Douranews
O secretário de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul, delegado Antônio Carlos Videira, participou na manhã desta quarta-feira (13) na sede das OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) em Dourados, de encontro organizado pela Frente Parlamentar em defesa da solução dos conflitos indígenas de Dourados, criada na Câmara por iniciativa do vereador Rogério Yuri (PSDB) e garantiu aos presentes que a orientação do governador Eduardo Riedel é pela paz entre as partes.
“Temos informações que muitos indígenas do nosso Estado estão sendo usados como mão de obra para o tráfico de entorpecentes. Alguns deles estão sendo levados para a fronteira e acabam aliciados para atuarem no transporte de maconha”, disse o secretário, em entrevista a imprensa. Liderança interna na Reserva Indígena, o ex-vereador Aguilera de Souza cobrou ações para que “nossas aldeias não se transformem em uma cracolândia”. Videira disse que o Governo do Estado trabalha projetos de integração e que está decidido a impedir o avanço da violência entre as comunidades.
“Temos que estar atentos não só pela disputa da terra, mas com a vulnerabilidade dessas populações. Nossas aldeias estão sendo utilizadas por facções criminosas para levar drogas para os grandes centros”, denunciou o secretário estadual, pedindo o empenho de todas as forças de segurança no sentido de pacificar as relações entre produtores e índios, às voltas em um conflito na divisa da cidade com a Reserva, nas cercanias da avenida Dom Redovino com o Anel Viário.
O encontro da Frente Parlamentar reuniu o procurador federal Marco Antônio Delfino, os delegados da Polícia Federal, Alexsander Takitomi, da Polícia Civil do Interior, Lupérsio Degerone, a coordenadora local da Funai, Teodora de Souza, os comandantes do DOF (Departamento de Operações de Fronteira), coronel Everson Antônio Rozeni, da Polícia Militar, tenente coronel Samuel Castilho Ferreira Aragão, do CPA (Comando de Policiamento de Área), coronel Rodrigo Alex Potrich, da Delegacia Regional, Adilson Stiguivits, do SIG (Serviço de Investigações Gerais), Erasmo Cubas, da Guarda Municipal, Graziele Nascimento, produtores da área, lideranças indígenas e representantes da OAB, Associação Comercial e Sindicato Rural de Dourados.

Para o procurador Marco Antônio, do MPF, não é verdade que a questão da terra indígena seja unicamente responsabilidade do Governo Federal. “Se ficarmos esperando pelo Governo Federal, vamos continuar tendo as mesmas dificuldades”, disse, lembrando que vê com bons olhos as ações do Governo estadual, citando exemplos do Piauí e do Pará, por exemplo. “O decreto que regula as demarcações de terras indígenas estabelece o critério de reassentamento de produtores”, como já ocorreu na ‘Terra do Boi’, defendeu, citando fato ocorrido em relação a produtores que ocupavam área tradicional da aldeia Panambizinho, removidos em 2004 para a região de Juti, como alternativa de pacificação.
Veja a proposta do procurador na transmissão ao vivo do Douranews
Tensão
A audiência realizada na OAB ocorreu em clima tranquilo, conforme definiu o presidente da casa, advogado Ewerton Brito. Nos poucos momentos tensos, em um deles produtores relataram que, simultaneamente ao encontro do qual participavam, indígenas estavam atacando propriedades deles na saída para Itaporã. O secretário de Segurança determinou imediata apuração, deslocando o comando da PM para a área.
Em outro momento, o advogado Cícero Costa, tradicional defensor da causa dos produtores, responsabilizou o MPF pelo clima de confronto, provocando imediata reação do procurador Marco Antônio: “Vou interpelar o senhor para que prove isso”.
A situação foi contornada pelo mediador da sessão, vereador Rogério Yuri, que conduziu os trabalhos juntamente com os demais membros da Frente Parlamentar, vereadores Marcio Pudim, Fabio Luiz, Marcelo Mourão e Elias Ishy. Ao final, foi lavrada uma ata com as principais propostas para encaminhamento de providências por parte das autoridades diretamente envolvidas na questão.