'Missa política' de domingo agitou começo de 2023 — Reprodução
O ano começou com um tete-a-tete, via WhatsApp e depois por carta, entre o Promotor de Justiça João Linhares Junior, do Ministério Público de Mato Grosso do Sul em Dourados, a partir de representação junto ao bispo diocesano Dom Henrique Aparecido de Lima, depois de ter testemunhado pessoalmente, ao participar da missa de domingo (22 de janeiro) na Catedral, e reprovar a conduta do sacerdote que conduziu o tradicional e bastante frequentado rito religioso dos finais de semana na cidade.
De acordo com a interpelação, encaminhada via WhatsApp à autoridade católica da Diocese, Linhares disse que o padre “politizou ostensiva e desnecessariamente o ato religioso, tecendo comentários absolutamente irrelevantes, impertinentes e alguns dos quais inverídicos, adotando, por conseguinte, conduta incompatível com as normas da Santa Igreja Católica e malferindo o pundonor e o decoro que deveria observar”.
João Linhares pediu ao bispo providências, à luz do Código Canônico, determinando que, não só o sacerdote da celebração, mas, “todos os outros clérigos se abstenham de tecer comentários que se fundem ostensivamente em inverdades, com conteúdo político-partidário, e que deslegitimem a democracia brasileira”.
“Não importa o colorido ou o perfil político que se tenha, penso que durante a missa, um ato sagrado para os católicos, não se deve abordar assunto político-partidário que gere desarmonia ou sentimentos negativos. Os cristãos católicos vão à missa para orar, elevar o espírito, agradecer, louvar a Deus e buscar paz, amor. Alguns assuntos, absolutamente estranhos e desagregadores, não me parecem ser objeto do ato religioso e muito menos construtivo para os fiéis”, confirmou o promotor ao se manifestar sobre o assunto com o Douranews.