Ex-presidente da Câmara de Dourados, Idenor Machado — Douranews
Ex-vereador e único presidente da Câmara a somar três mandatos consecutivos no comando da Mesa Diretora, o professor Idenor Machado foi quem conduziu as articulações para a construção de um prédio moderno para funcionar como sede do Poder Legislativo em Dourados.
“Não deu certo na época, mas, quem sabe, ainda sai”, aposta o político, que permanece na ativa, mesmo sem mandato. Ele lembra que a ideia de construir sede própria para a Câmara, em área do Município, teve a aprovação de todos os 19 vereadores e recebeu o aval, também, do então prefeito Murilo Zauith.
“Era um projeto bom, pena que não saiu, foi um projeto conjunto, o prefeito ajudou muito na época, colocou o terreno a disposição, nós queríamos fazer uma permuta, até pra economizar para o Município e não ter gastos excessivos”, recorda o ex-vereador.
O prédio seria edificado em uma área de 8 mil metros quadrados, localizada no cruzamento das ruas Joaquim Teixeira Alves e Coronel Ponciano, onde hoje existe uma praça desativada, a ‘Baltazar Marques’.
Com quase 4 mil metros quadrados de área construída, divididos em subsolo, térreo e primeiro piso, o projeto arquitetônico foi elaborado respeitando o declínio natural do terreno. Com aplicação de técnicas modernas de construção, previa a utilização de estrutura pré-moldada, garantindo celeridade na execução da obra.
O plenário em forma de anfiteatro multiuso, com capacidade para cerca de 400 pessoas, ainda teria espaço para abrigar, confortavelmente, o público presente nas sessões da Câmara e nos demais eventos realizados na Casa
A área dos gabinetes foi projetada para 24 salas, já à época antevendo a ampliação perspectivada para 2030 de o Município chegar a esse número de cadeiras legislativas. Atualmente, a Câmara abriga 21 vereadores e nem no espaço alvo de polêmica discussão existe essa disponibilidade.

O projeto da nova sede, conduzido à época em que Idenor presidiu a Câmara, entre 2012 e 2016, prevê amplo estacionamento, com capacidade para 121 veículos; rampas, corrimões, elevadores e espaços para facilitar o acesso das pessoas portadoras de necessidades especiais. Os gabinetes também continham previsão de adaptações necessárias para garantir o acesso e circulação do cidadão. Na formatação da obra em reforma, mais uma vez ameaçada de paralisação, não há espaço de estacionamento nem para os atuais 19 vereadores.
Murilo e Marçal
Quando a Mesa diretora que comandou as duas últimas legislaturas, sob o comando do vereador Laudir Munaretto (MDB), decidiu retomar o projeto de ampliação e reforma do prédio, o ex-prefeito Murilo Zauith (União) se manifestou contra. “Já existe projeto de construção da nova sede apresentado pelo Idenor Machado, então o que deveriam fazer é convocar a população para o debate público sobre qual a melhor decisão para o futuro da Casa de Leis da cidade”, opinou.
“De um lado, o que temos é uma medida adaptada, do outro, um projeto que atenda as necessidades políticas de Dourados, seus vereadores e principalmente da população. A Câmara de Vereadores não deve permanecer em um prédio comercial onde só existe estacionamento para os vereadores. É preciso defender um projeto amplo, que comporte mais de 400 pessoas e que seja de fato, a casa do povo. Esse projeto já existe e tem caráter resolutivo, não paliativo”, sustentou Murilo.
A atual Mesa Diretora estuda uma saída para contornar o impasse, e passa, inclusive, por devolver ao Município a prerrogativa pela tomada de decisão. A Câmara de Vereadores não possui Orçamento próprio, sua autonomia está vinculada ao prefeito, que é quem repassa os valores mensais do duodécimo, para manutenção e custeio, “tanto que nem pode fazer uso das sobras, se houverem, ao longo do período; tem que devolver para o Município”, observou o ex-presidente Idenor Machado, em conversa com o Douranews.
A atual presidente e o primeiro-secretário, Liandra Brambilla e Rogério Yuri, ambos do PSDB, o mesmo partido do prefeito Marçal Filho, ensaiam uma agenda com o chefe do Executivo para deliberar sobre o tema. “Ainda não sabemos o que ele pensa sobre isso”, admitem os gestores. Enquanto isso, as atividades da Câmara acontecem em área locada junto ao shopping Avenida Center, que demandam gastos superiores a R$ 65 mil mensais.