Trabalhador se refresca com água da torneira — Reprodução
A presença de agrotóxico em 84,44% das amostras analisadas no Rio Dourados levou a deputada estadual Gleice Jane (PT) a cobrar da Sanesul explicações sobre a qualidade da água fornecida à população. Requerimento apresentado nesta quinta-feira (10) exige laudos, resultados de monitoramento e informações sobre o tratamento da água captada no manancial.
Dados citados no documento, provenientes de monitoramento da Embrapa Agropecuária Oeste e apresentados pelo Ministério Público Federal (MPF), mostram que a atrazina, um tipo de agrotóxico, foi detectada em 532 das 630 amostras analisadas até o dia 24 de abril deste ano. Somente nos quatro primeiros meses, 38 tipos diferentes de pesticidas foram identificados no rio este ano.
“Isso é um alerta grave. Estamos falando de um rio que abastece parte de Dourados e de centenas de amostras com presença de agrotóxico. A população tem o direito de saber o que existe na água captada, o que o tratamento consegue remover e, principalmente, o que efetivamente chega às torneiras”, afirma Gleice.
A parlamentar cobra da Sanesul as análises da água bruta e da água tratada desde janeiro de 2025, além de informações sobre eventuais resultados fora dos padrões de potabilidade, as tecnologias utilizadas no tratamento e quais bairros recebem água proveniente do Rio Dourados.
Gleice também exige esclarecimentos sobre o cumprimento de recomendação do MPF para ampliar a transparência das informações prestadas aos consumidores.
“Não estamos afirmando que a água que chega às casas está contaminada. Estamos exigindo os documentos que permitam saber isso com segurança. Diante de dados tão graves sobre o manancial, a Sanesul precisa apresentar os laudos e dar respostas claras à população”, diz.
Segundo a parlamentar, água segura é direito, assim como informação. "Não vamos aceitar falta de transparência quando o que está em jogo é a saúde da população”, conclui.