Manifestações culturais durante inauguração da casa — Adriana Bertoleti
A inauguração da Casa de Reza Ongusu como espaço sagrado que ocupa um lugar fundamental na vida espiritual, cultural e comunitária do povo Guarani Kaiowá, reuniu nesta sexta-feira (16) grande número de pessoas, das comunidades indígenas de Dourados e da região, no encerramento da programação do Festival Indígena de Música e Cultura, aberto quinta-feira (15), na aldeia Panambizinho, em Dourados.
Conhecida também como óga pysy, a casa de reza é um espaço de espiritualidade, encontro e transmissão de conhecimentos entre gerações. Nela, acontecem rezas, cantos, danças tradicionais e reuniões comunitárias, além de práticas conduzidas por lideranças espirituais e pelos mais velhos. Sua existência está profundamente ligada ao Tekoha, território tradicional onde o povo Guarani Kaiowá realiza seu modo de vida, e ao Teko porã, princípio associado a uma vida harmoniosa em comunidade e com a natureza.
A inauguração da nova Casa de Reza Ongusu foi marcada por rituais e cantos de protesto à intolerância religiosa que tem marcado alguns sinônimos da preservação da ancestralidade em Mato Grosso do Sul. Em 2024, casas de reza foram destruídas por incêndios em Caarapó e Japorã. Em agosto de 2025, outro incêndio atingiu uma casa de reza na Reserva Indígena de Dourados, em um caso até hoje investigado pela Polícia Federal sob suspeita de ação criminosa. Nesse contexto, a nova construção em Panambizinho representa o fortalecimento da espiritualidade, da memória e da continuidade dos saberes ancestrais.