O ministro Edson Fachin, presidente do STF (Supremo Tribunal Federal) e do CNJ (o Conselho Nacional de Justiça), vem a Dourados neste sábado (29), acompanhado do ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, para a inauguração do PID Indígena (o Ponto de Inclusão Digital: Justiça, Cidadania e Segurança) na Aldeia Jaguapiru. A solenidade está prevista para as 9h30 na Escola Estadual Indígena Intercultural Guateka 'Marçal de Souza'.
A unidade foi criada para aproximar serviços de Justiça, cidadania e segurança da população da Reserva Indígena de Dourados, onde vivem perto de 20 mil indígenas dos povos Guarani-Kaiowá, Guarani-Ñandeva e Terena. Instalada em uma estrutura modular, em formato de contêiner, a unidade foi projetada a partir de demandas apresentadas pela própria comunidade.
A iniciativa pretende reduzir as barreiras enfrentadas pelos moradores para acessar serviços públicos e judiciais, evitando deslocamentos até a área urbana de Dourados. Os serviços serão disponibilizados para toda a comunidade, com prioridade às mulheres indígenas. O governador Eduardo Riedel deve participar da cerimônia oficial.
O PID é resultado de uma articulação que reúne CNJ, Ministério dos Povos Indígenas, Funai, Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul (DPE-MS), Governo de Mato Grosso do Sul, Associação dos Notários e Registradores do Estado de Mato Grosso do Sul (ANOREG/MS), Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3) e Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS).
O Acordo de Cooperação Técnica assinado entre esses órgãos tem vigência de 60 meses e permanece aberto à adesão de outras instituições. Não haverá transferência de recursos financeiros entre os participantes; cada órgão será responsável pelos atos, agentes, sistemas, dados e despesas de sua competência.
“Esta união transforma o compromisso em presença real. Cada órgão traz sua competência para somar esforços no território, garantindo que a justiça e a cidadania estejam ao alcance de todos”, afirma a ouvidora nacional da Mulher e conselheira do CNJ, Jaceguara Dantas. “O PID Indígena é a prova de que a proteção agora tem endereço na aldeia. É o caminho para que as futuras gerações acessem seus direitos no seu tempo.
Sujeito ativo
Segundo Jaceguara, a experiência de Jaguapiru poderá orientar a expansão do modelo. “A comunidade não é apenas beneficiária, mas sujeito ativo que acompanha e valida a política pública. O modelo de Jaguapiru servirá de base para expansão para a Amazônia em 2027 e para todo o país em 2028”.
A implantação do PID é resultado de três anos de diálogo e presença institucional na região. O formato da unidade foi definido após diagnóstico realizado pelo Judiciário e instituições parceiras, em conjunto com os moradores, sobre as principais dificuldades de acesso a serviços públicos.
O PID da Aldeia Jaguapiru integra a política nacional de Pontos de Inclusão Digital do Judiciário. Atualmente, já existem 783 PIDs cadastrados no país, sendo 39 no Mato Grosso do Sul. Os pontos funcionam como espaços de acesso a serviços judiciais e públicos por meio de equipamentos e conexão digital, especialmente em localidades distantes das unidades judiciárias.


Ponto Digital integra política de inclusão indígena - (Foto: Divulgação)




