O desespero para conseguir uma vaga para o filho de 11 anos em uma escola municipal de São José dos Campos (a 96 km de SP) fez com que a dona de casa Raquel Aparecida de Almeida, 35 anos, se acorrentasse durante oito horas a um banco no pátio da escola Ruth Nunes da Trindade. O protesto da dona de casa começou no início da tarde de quinta-feira (24) e acabou às 21h, quando o local foi fechado pela guarda municipal.
Há quatro anos, Raquel tenta matricular o estudante Charles Henrique na escola municipal do Parque Interlagos, bairro onde mora há quase cinco anos. Ela está na "fila de espera" e ocupa a posição 32º para ser chamada. No início de 2011, 18 novos estudantes conseguiram transferência para a mesma escola. Charles não estava entre os contemplados.
O problema da falta de vaga fez com que a criança fosse matriculada em uma escola estadual localizada a 6 km de distância do bairro onde ela mora. Por conta disso, a família tem de pagar R$ 100 por mês para o transporte particular do filho.
“O Charles não pode andar de ônibus sozinho, ele tem um problema neurológico. Hoje (25) estive com o secretário de Educação e conversamos sobre o assunto. Eu preciso de uma solução. Cansei de sofrer e de me humilhar”, disse Raquel.
Durante o protesto, Raquel chegou a dizer que cansou de receber a mesma resposta da rede pública municipal. “Sempre me informam que é preciso esperar pela oportunidade, mas nunca aconteceu nada. Gastar R$ 100 com transporte faz falta para a minha família. Em casa somos três pessoas e meu marido não tem emprego fixo.”
Verba para transporte
O secretário de Educação de São José, Alberto Alves Mano Marques, se reuniu na manhã desta sexta-feira (25) com a dona-de-casa para formalizar o pedido da bolsa auxílio de R$ 516 para a prefeitura.
Mano Marques prometeu que o dinheiro será liberado a partir de abril e poderá ser destinado para os gastos com transportes e outras necessidades. Ele ainda entrou em contato com o proprietário da van pedindo prazo maior para a regularização dos débitos.
O secretário se comprometeu ainda em arcar com os custos do transporte até o final de ano caso a bolsa auxílio não seja liberada.
Em contrapartida à ‘solução’, Raquel se comprometeu a concluir o ensino fundamental e se matricular em um dos cursos profissionalizantes da Secretaria de Desenvolvimento Social.
Em relação à lista de espera, a assessoria de imprensa informou que todos os anos há uma grande demanda na procura por transferências para a rede municipal e que não há como atender a todos. Existem critérios estabelecidos que devem ser obedecidos. Atualmente, a escola municipal do Parque Interlagos atende a 1.260 alunos no ensino fundamental.