Quando o nome de Lucíola Maria Inácio Belfort, de 38 anos, foi anunciado nos microfones do Salão de Atos da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) para receber o diploma de médica, na noite de sexta-feira (19), uma nova parte da história da principal universidade federal do Estado estava sendo escrita.
Lucíola é a primeira indígena a se formar em Medicina na instituição e está entre os cotistas que ingressaram em 2008, os precursores no programa de ações afirmativas, como são chamadas as políticas em benefício a grupos discriminados e vitimados pela exclusão socioeconômica no passado ou no presente.
Caigangue, Lucíola, ou Nivãn, nome pelo qual é chamada entre os de sua etnia, faz parte de uma parcela de estudantes universitários que, a partir da reserva de vagas para egressos de escolas públicas e autodeclarados pretos, pardos e indígenas, chegou ao ensino superior gratuito. Hoje, eles são cerca de 9 mil entre os 30,7 mil estudantes dos 93 cursos da UFRGS.