Num mercado onde todo mundo tem produto parecido e preço parecido, o atendimento é o que ainda faz o cliente escolher você.
Existe uma verdade incômoda sobre o comércio: na maioria das cidades, as lojas vendem quase as mesmas coisas, pelos quase mesmos preços, com as mesmas condições.
Dourados, com suas 73 modalidades de comércio e concorrência que a própria pesquisa de mercado classifica como acirrada, é um retrato disso. Quando produto e preço se igualam, sobra um único campo de batalha: o atendimento.
E aqui vai o que digo em toda palestra de vendas: atendimento não é gentileza. Gentileza é o mínimo. Atendimento é conduzir o cliente até a melhor decisão de compra para ele.
O consumidor do interior valoriza o olho no olho
A pesquisa do IPF/MS e do Sebrae/MS para o Dia dos Pais de 2026 mostrou que 73,33% dos consumidores sul-mato-grossenses pretendiam comprar em loja física. Mesmo com todo o avanço do digital, o presencial segue soberano por aqui. Isso é uma vantagem enorme — e a maioria dos lojistas desperdiça.
Conforme eu explico nas minhas palestras e no Podcast de Vendas do Diego Maia: cada cliente que entra na sua loja é uma oportunidade que o e-commerce não tem. Estou me referindo ao contato humano. Um bom atendimento presencial resolve dúvida na hora, mostra o produto na mão, cria conexão. Mas isso só acontece se a equipe estiver treinada para atender — e não apenas para tirar pedido.
Os erros de atendimento que custam venda
O vendedor que aborda com o clássico 'posso ajudar?' e aceita o 'só estou olhando' como fim de papo. O que fala mais do que ouve. O que julga o cliente pela roupa. O que abandona a pessoa na dúvida final, justo na hora de fechar. Cada um desses deslizes acontece dezenas de vezes por dia no comércio, e cada um é dinheiro saindo pela porta.
Atendimento se treina e se mede
Boa notícia: atendimento não é dom, é competência. Dá para treinar abordagem, escuta, argumentação e fechamento. E dá para medir — pela taxa de conversão, pelo retorno do cliente, pela indicação espontânea.
Uma prática simples para começar amanhã: peça a cada vendedor que, ao final do atendimento, faça uma pergunta a mais. 'O senhor vai levar também as pilhas para isso?' 'Quer que eu já embale para presente?' Essa única pergunta extra, feita com naturalidade, eleva o tíquete médio sem custo nenhum.
Em um estado onde o varejo cresceu apenas 0,8% em 2025, ganhar mais de cada cliente que já está na loja é mais inteligente do que gastar para atrair novos. O atendimento é a alavanca mais barata — e mais ignorada — do comércio douradense.
Não esqueça: onde tem venda, tem vida.
* É palestrante de vendas, escritor com oito livros publicados — dentre eles 7 Princípios da Venda — e fundador da CDPV Companhia de Palestras
(Desde 2003, é presença constante em convenções de vendas e eventos corporativos, com foco no desenvolvimento de equipes comerciais, treinamento de vendas e alta performance — somando mais de 1.800 palestras realizadas e 500 mil profissionais treinados no Brasil e no exterior. Apresenta o Podcast de Vendas do Diego Maia, publicado diariamente desde 2009, sempre às 7h, com mais de 2.000 episódios. Desde 2011, lidera o movimento #SouDeVendasComOrgulho, pela valorização e profissionalização de quem vive de vendas no Brasil)




